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Enf.ª Ana Freitas

Sono no primeiro ano de vida

HPA Magazine 15

 

O sono do bebé é um assunto com grande impacto na vida das famílias, que chegam a perder 700 horas de sono no primeiro ano de vida. 
As necessidades de sono variam no primeiro ano de vida: recém-nascidos - 16 a 20 horas; lactentes até 4 meses - 14 a 15 horas; dos 4 aos 12 meses - 13 a 14 horas, e o sono diurno diminui gradualmente. 



 

Existem diferentes padrões de sono ao longo do primeiro ano. Até aos 3-4 meses, ao adormecer inicia o sono ativo, mais superficial, e cerca de 20 minutos depois o sono tranquilo, mais profundo. Após os 3-4 meses e para toda a vida, alterna de forma cíclica entre o sono Não-REM, após adormecer, mais profundo, e o sono REM, mais superficial e próximo do despertar. Na transição entre ciclos de sono existem microdespertares. No primeiro ano de vida predomina o sono REM e os ciclos são mais curtos, condicionando mais microdespertares. É pretendido que sejam curtos e a criança volte a adormecer. 
Nos primeiros 4 meses estabelece-se o ciclo dia-noite. Para isto, contribui o aumento, ao final do dia, de uma hormona que induz o sono, a melatonina. Para aproveitar o pico desta hormona, é importante que a criança se aperceba da transição dia-noite, expondo-a ao pôr-do-sol.
Há que criar condições ideais para um sono tranquilo. Assim, nos primeiros meses de vida, deve dormir no quarto dos pais, podendo transitar para o quarto próprio após os 6 meses, de acordo com a autonomia da criança e a vontade dos pais. Deve ser sempre deitado de costas, com membros superiores livres, em berço próprio e não na cama dos pais, com colchão semirrígido e sem almofadas. O quarto deve ainda ser arejado, livre de objetos que acumulem pó e com temperatura entre os 18-20ºC.
O recém-nascido deve habituar-se à rotina da família. De dia, poderá fazer sestas com luz e barulho, inclusive ao colo dos pais e, de noite, deve dormir no berço. Quando o bebé ficar alerta por mais tempo, pode colocá-lo no berço ainda acordado ou assim que terminar a mamada, para habituá-lo a adormecer sozinho. 
Diariamente devem ser desenvolvidas rotinas que garantam segurança pela sua repetição. Ao longo do dia, deve-se manter a iluminação natural, ruídos normais da casa e horários regulares de refeições e sestas. A estimulação do bebé deve também ser maior no início do dia, começando a diminuir de intensidade até ao anoitecer. Neste período de aquisições rápidas, são facilmente sobre estimulados, respondendo com irritabilidade e choro. Deve tentar perceber os sinais de cansaço, para proporcionar um ambiente calmo, antes que o bebé atinja um estado de sobre estimulação.
 

Nos momentos que antecedem o deitar, deve iniciar-se uma rotina terminando sempre no local onde vai dormir. Fazer as coisas da mesma forma e à mesma hora, ajuda a perceber que é hora de dormir. Pode incluir um banho (se relaxante para o bebé), diminuição da luminosidade e som, massagens, música relaxante, mimos ou conversa. A mamada, deve ser afastada do momento de adormecer, para evitar a associação entre alimentação e sono. 
Evitar adormecer o bebé ao colo, deitando-o quando estiver sonolento, mas ainda desperto, para aprender a adormecer sozinho, sem ter que ser embalado ou amamentado.
Podem ser ainda introduzidos objetos de transição (peluche, fralda de pano, chucha), que sejam seus companheiros de sono, estando presentes no adormecer e durante a noite, para autorregulação nos despertares e no voltar a adormecer.
Nos despertares noturnos, os pais devem aguardar algum tempo para dar oportunidade ao bebé de readormecer sozinho. Se, de facto, tiver fome ou necessitar trocar a fralda, deve ser feito em pouco tempo, com luz e estimulação mínima. Gradualmente, deve diminuir-se a duração da mamada e quantidade de leite no biberão. Caso necessite de luz de presença, optar pela vermelha, que não deve incidir sobre o bebé. 
Há períodos de “regressão do sono”, em que o bebé volta a despertar mais vezes. Coincidem com o início dos ciclos REM/Não-REM, períodos de grandes aquisições do desenvolvimento (p.e. gatinhar, aquisições linguísticas), com a ansiedade de separação, alterações a rotina habitual e até com a erupção dentária. São transitórios, recomendando-se persistir nas rotinas já estabelecidas. 
Relativamente aos “ecrãs” devem restringir-se as videochamadas. Foi provada que a exposição a estes, principalmente aos mais interativos, é responsável por diminuição na duração e qualidade do sono, com mais despertares noturnos.
O papel dos pais é ajudar o bebé a ter autonomia progressiva, utilizando estratégias que permitam autorregular-se e adquirir gradualmente um sono autónomo. Devem estar conscientes que estas estratégias, e outras não descritas neste artigo, podem precisar de persistência e, muitas vezes, não são fáceis de implementar. Devem ser ajustadas à realidade individual de cada criança e família, com o apoio do seu pediatra.