Fisioterapeuta
HPA Magazine 17
Os sintomas mais frequentes após os seis meses são cansaço extremo (fadiga), problemas com a memória e concentração e agravamento dos sintomas pós-esforço, sendo que cerca de 75% dos doentes refere estas manifestações. Na presença de atividade os doentes referem exaustão, confusão mental, dor, falta de ar, palpitações, febre e distúrbios de sono, que se podem estender após o esforço por um período entre 12 e 48 horas e, em alguns casos durar mesmo dias ou semanas.
A Fisioterapia poderá ter um papel preponderante no acompanhamento destes doentes, mas deve ser prescrita de forma criteriosa e focada os seguintes objetivos: prevenir a dessaturação de oxigénio durante o esforço, ajudar na presença de frequência respiratória muito aumentada e/ou de desconforto respiratório.
A proposta terapêutica de exercício progressivo não deve ser utilizada quando existir exacerbação dos sintomas após esforços, devem ser privilegiadas atividades curtas e períodos de descanso mais frequentes, tendo em vista a conservação de energia.
O Fisioterapeuta tem outras estratégias para os doentes de COVID Longa, nomeadamente no processo de aprendizagem na gestão da energia utilizada durante o dia nas várias atividades - aprender a preservar a reserva energética – e, também ajudando o doente a construir um diário de atividades e sintomas.
Este diário é um instrumento fundamental, pois baliza o doente no que respeita ao volume de atividades e de sintomas diários, tendo como “referência máxima” um dia bom e como “referência mínima” o que consegue fazer num dia mau.
Deve ser reforçada a importância das pausas durante as atividades, sendo que estes momentos devem ocorrer antes de sentir cansaço. Este processo exige aprendizagem e perceção do corpo e das suas respostas.
Fundamental ainda é saber reconhecer os sinais iniciais da exacerbação dos sintomas pós-esforço e PARAR imediatamente, sem tentar exceder limites, DESCANSAR e CONTROLAR as atividades diárias, cognitivas e os seus sintomas. É de extrema Importância saber definir tarefas prioritárias, planear os períodos de ocupação e descanso, graduar a exigência das atividades e sobretudo desfrutar cada dia.
Uma referência simples para monitorizar o esforço passa por medir a frequência cardíaca ao acordar; durante as atividades esta não deve exceder os 15 batimentos acima do valor basal medido ao acordar.