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Pediatria

Dr.ª Joana Almeida Santos

Artrite pediátrica e outras doenças reumatológicas porque também há reumatismo infantil!

HPA Magazine 6


A maioria das pessoas julga que as doenças reumáticas são exclusivamente do foro dos adultos. Mas a verdade é que há um número importante de reumatismos que pode afetar as crianças, cujas manifestações são idênticas às populações mais velhas: dor, edema e rigidez nas articulações, com lesões ou limitações que podem comprometer de forma permanente o seu futuro. Apesar da abordagem terapêutica poder ser idêntica à do adulto, as doenças reumáticas infantis e juvenis exigem intensidades do tratamento e  follow-ups muito superiores. A Dra. Joana Almeida Santos, Pediatra com especialização em Reumatologia Infantil, esclarece-nos algumas questões.



 

O QUE SÃO A ARTRITE PEDIÁTRICA E OUTRAS DOENÇAS REUMATOLÓGICAS?
A artrite pediátrica é apenas um tipo/categoria de doença reumatológica. A artrite afeta as articulações, músculos, tendões, ligamentos e ossos. As doenças reumatológicas no sentido lato podem também afetar outras partes do corpo, incluindo órgãos como a pele, o coração e os olhos. Algumas doenças reumatológicas afetam os chamados tecidos conjuntivos (músculos, tendões e ligamentos) e são por isso conhecidas como doenças do tecido conjuntivo. Outros tipos de doenças são resultantes do ataque do sistema imunitário do organismo contra as suas próprias células e tecidos saudáveis e são conhecidas como doenças auto-imunes. 

QUÃO COMUNS SÃO ESTAS DOENÇAS DA INFÂNCIA?
Cerca de 1 em 1,000 crianças tem artrite. Isto inclui não só crianças com artrite idiopática juvenil mas também outras doenças reumatológicas ou do tecido conjuntivo.

QUAL É A CAUSA DESTAS PATOLOGIAS?
A causa específica da maioria das doenças reumatológicas ainda não é conhecida. Em muitos casos, a causa pode variar dependendo do tipo de doença. Os investigadores pensam que certos fatores podem desempenhar um papel: o sistema imunitário, a genética e história familiar, traumatismo, infeção, problemas metabólicos e do sistema nervoso central, excessivo desgaste e stress do organismo, triggers ambientais e o efeito de algumas hormonas.

QUE TIPOS DE DOENÇAS REUMATOLÓGICAS PODEM AFETAR AS CRIANÇAS? 
As crianças podem ter artrite crónica – chamada artrite idiopática juvenil (AIJ), previamente conhecida como artrite reumatóide juvenil, assim como outras doenças reumatológicas, nomeadamente lúpus eritematoso sistémico (conhecido como lúpus ou LES), dermatomiosite juvenil, vasculite, entre outras.

QUE CRIANÇAS ESTÃO EM RISCO DE DESENVOLVER ESTAS DOENÇAS?
A artrite e as doenças reumatológicas em geral podem afetar qualquer criança. Elas podem ocorrer em qualquer idade ou em qualquer raça, mas sabe-se que algumas são mais comuns em determinadas crianças, tais como: artrite idiopática juvenil – mais frequentemente afeta crianças com menos de 15 anos de idade; lúpus eritematoso sistémico – ocorre mais frequentemente em meninas; espondilite anquilosante – é mais comum em rapazes.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?
Cada tipo de doença reumatológica tem o seu próprio conjunto de sintomas, e os sintomas podem apresentar-se de um modo um pouco diferente em cada criança, mas de um modo geral os sintomas mais comuns incluem: dor articular/queixas crónicas articulares, edema de uma ou mais articulações, calor e rubor na área articular, rigidez articular que dura pelo menos uma hora no início da manhã/limitação de movimentos nas articulações afetadas, fadiga, febre persistente ou recorrente. No entanto, estes sintomas podem ser comuns a outras patologias não reumatológicas a considerar no diagnóstico diferencial.

 

 

COMO SÃO DIAGNOSTICADAS?
O processo tem início com uma história clínica e um exame físico realizados por um médico com formação especializada (ou experiência) em doenças reumatológicas infantis. A avaliação inicial deve ser feita pelo médico de família ou pediatra generalista, mas o diagnóstico final é idealmente realizado por um reumatologista pediátrico. Não existem análises de sangue ou urina, radiografias ou outros exames de imagem específicos para o diagnóstico, mas no seu conjunto estes testes podem ser úteis para determinar o tipo de patologia, avaliar a gravidade, ou identificar complicações. Podem ainda ser realizados outros exames, tais como: aspiração articular (artrocentese), testes genéticos, biópsias de pele e músculo.

QUAL O TRATAMENTO?

O tratamento dependerá dos sintomas da criança, da sua idade e estado geral de saúde. Irá também depender do tipo de doença e sua gravidade. É muitas vezes elaborado um plano terapêutico que envolve uma equipa multidisciplinar. Esta equipa inclui o médico assistente da criança, um reumatologista, ortopedista, fisioterapeuta e outros profissionais de saúde.
Não existe cura para a maioria das doenças reumatológicas pediátricas. O objetivo do tratamento é muitas vezes limitar a dor e a inflamação, e manter a função articular. Alguns órgãos, como os olhos e o coração, são também muitas vezes examinados para excluir o seu envolvimento. Os planos de tratamento envolvem frequentemente terapêuticas a curto e longo prazo e incluem fármacos, calor e frio, massagem, exercício, fisioterapia e cirurgia.

A ARTRITE INFANTIL É TRATADA DA MESMA FORMA QUE A ARTRITE DO ADULTO?
As crianças com artrite não são apenas crianças com uma doença do adulto. Embora os fármacos e terapêuticas usadas sejam semelhantes, a intensidade do tratamento e a frequência do follow-up devem ser muito superiores.

QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES DA ARTRITE PEDIÁTRICA E DE OUTRAS DOENÇAS REUMATOLÓGICAS?
Se apenas algumas articulações forem afetadas, a artrite pode causar pouco ou mesmo nenhum dano articular. Algumas crianças podem apresentar dor crónica e incapacidade. Outras complicações incluem atraso do crescimento, anemia, e problemas oculares ou cardíacos. Embora não exista cura para a artrite juvenil, a terapêutica atualmente disponível muitas vezes previne as lesões a longo-prazo e a incapacidade, que podem permanecer mesmo após resolução da artrite.

COMO AJUDAR O SEU FILHO A VIVER COM ESTAS DOENÇAS?
Ajude o seu filho a lidar com os sintomas incentivando a adesão ao plano terapêutico. Incentive a prática de exercício e a fisioterapia. Procure torná-las uma atividade divertida. Trabalhe em conjunto com a escola para se certificar que recebe todo o apoio necessário. Trabalhe com outros pais/cuidadores para que ele participe tanto quanto possível nas diferentes atividades escolares, sociais e físicas. Pode também ajudar a encontrar um grupo de apoio, para que possa partilhar experiências com crianças que apresentam problemas de saúde semelhantes.