tempos médios de espera

Hospital Particular Alvor

00h03m

Atendimento Permanente

Hospital Particular Gambelas

00h13m

Atendimento Permanente

Madeira Medical Center

00h01m

Atendimento Permanente

Enf.ª Adriana Ramos 

Mestrando em Enfermagem 
de Saúde Infantil e Pediatria

 

Enf.ª Adriana Ramos

Cuidar a brincar em tempo de pandemia
Necessário e saudável

HPA Magazine 15

 

No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde declarou a infeção pelo novo coronavírus como uma pandemia. O surgimento deste novo vírus levou à necessidade de mudanças no estilo de vida de todos. Uma pandemia acarreta inevitavelmente impactos em qualquer população, levando a que exista uma reorganização das diversas instituições e dos serviços, nomeadamente dos serviços de saúde, surgindo novas regras e aumentando precauções. Todas estas mudanças exigem do profissional de saúde uma rápida adaptação a uma nova realidade, até à data desconhecida e, um reajuste na sua prestação de cuidados.



 

Em Pediatria o atendimento à criança carece de uma atenção especial e de um reforço dos cuidados humanizados. O conceito de criança tem sofrido alterações ao longo dos anos, passando de um individuo sem interesse para a sociedade, até aos dias de hoje, em que a criança tem uma importante posição, sendo detentora de direitos Neste sentido, os cuidados de enfermagem deixaram de se centrar no modelo biomédico, na doença e no curativo, passando a atuar na prevenção, no bem-estar e na relação com o ambiente, tendo sido desenvolvida uma visão holística sobre o individuo. 
Ao cuidar de crianças hospitalizadas, encontramos um ser humano e a respetiva família imersos em emoções, desgaste físico e vulnerabilidade social, o que exige do profissional de enfermagem não só compreensão da doença, mas também sensibilidade para reconhecer as peculiaridades de cada indivíduo.
A doença, a hospitalização e a dor são fatores potenciadores de stress na criança. A exposição da criança a episódios traumáticos repetidos, ativa as suas respostas biológicas de stress, que produzem consequências comportamentais e emocionais que se traduzem em trauma. A resposta de stress é constituída pela ativação e interação de um conjunto de sistemas que visam alertar e proteger o organismo contra as ameaças externas. Na criança, que se encontra em desenvolvimento, a ativação repetida destes sistemas vai condicionar o desenvolvimento da estrutura e do funcionamento do seu cérebro, tendo consequências na forma como a criança se relaciona consigo, com os outros e com o ambiente. As experiências de hospitalização das crianças mostram que o desconhecimento e a perda de controlo são as principais causas de stress. Dependendo da idade e do seu desenvolvimento cognitivo, as crianças apresentam vários medos durante a prestação de cuidados, entre eles a lesão física, a dor, os procedimentos de enfermagem, a separação dos pais, o ambiente desconhecido, os instrumentos e equipamentos e a perda de autodeterminação. 
É da responsabilidade dos enfermeiros a realização de intervenções que visem a diminuição destes impactos, como por exemplo a utilização do brincar terapêutico. 
 

O brincar terapêutico pode ser definido como um conjunto de intervenções para promover o bem-estar das crianças durante a hospitalização, sendo um conjunto de atividades lúdicas estruturadas em função do estado de saúde, idade e desenvolvimento da criança. Assim, não se trata apenas de uma atividade recreativa, mas sim de uma atividade planeada com um objetivo. Numerosos estudos mostram que o brincar terapêutico ajuda a melhorar esses comportamentos, uma vez que através da brincadeira, as crianças podem compreender e aceitar a situação que estão a viver e aprender a expressar os seus sentimentos e emoções sobre os procedimentos durante a hospitalização.
Face à pandemia, a necessidade da utilização dos Equipamentos de Proteção Individual pode ser encarada como um fator barreira na relação entre o enfermeiro e a criança.
O brincar proporcionado pelos profissionais de saúde pode melhorar a relação enfermeiro-criança, aumentando a confiança durante a prestação de cuidados. Assim, é importante conhecer a eficácia do brincar terapêutico para transformar as unidades hospitalares pediátricas num ambiente agradável, atraente e lúdico, afim de alcançar melhor resultados e humanizar o atendimento.
Desta forma, nesta fase pandémica em que as repercussões da hospitalização estão ainda mais marcadas, existe a necessidade de intervir no sentido de diminuir os impactos que o recorrer a um serviço de saúde tem atualmente nas crianças. Posto isto, os enfermeiros de pediatria podem usar o brincar como uma estratégia do cuidar na criança hospitalizada, uma vez que apresenta numerosas vantagens face à hospitalização. Também os pais, enquanto figura de proteção para a criança, apresentam um papel fundamental no brincar terapêutico, sendo a sua aprovação e participação, a forma mais facilitadora na aceitação pela criança do brincar terapêutico durante a prestação de cuidados. 
Surge assim a necessidade de, tanto os profissionais de saúde como os pais, se reverem um pouco no papel de crianças e desmistificarem a figura do prestador de cuidados no hospital, permitindo que as crianças da nossa sociedade se desenvolvam corretamente. Todos somos responsáveis pelo desenvolvimento da criança livre de trauma.