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Dr.ª Andreia Cruz
Médica Internista
Consulta de Diabetes e Diabetes Gestacional

Dr.ª Andreia Cruz

Diabetes gestacional

HPA Magazine 15


A Diabetes Gestacional (DG) define-se como um subtipo de intolerância aos hidratos de carbono (açúcares) diagnosticada ou detetada pela primeira vez no decurso da gravidez. É um diagnóstico cada vez mais comum, principalmente na última década. É o diagnóstico que nenhuma grávida gosta de ter, principalmente quando este acontece no primeiro trimestre. A estrutura social e o estilo de vida têm sofrido alterações que se refletem nas características da mulher; engravida mais tarde e tem mais excesso de peso. 

 


Os dados mais recentes disponíveis são referentes a 2018, onde a prevalência da DG foi de 8,8% da população parturiente do SNS, sendo de 9,9% na faixa etária dos 30-39 anos e de 17,7% nas mulheres com mais de 40 anos.
No HPA Gambelas dispomos de consulta de Diabetes Gestacional em cooperação com a equipa de Obstetrícia, com protocolos de seguimento durante a gravidez e parto e reavaliação pós-parto. O grande desafio da consulta de DG é desconstruir mitos, associados ao diagnóstico e à dieta, e motivar a grávida a cumprir uma dieta até ao parto e quando necessário a iniciar terapêutica.
Na primeira consulta de Obstetrícia todas as grávidas deverão ser submetidas a uma glicemia em jejum, cumprindo previamente um jejum de 8 a 12 horas, sendo que um valor superior ou igual a 92 mg/dl faz o diagnóstico de diabetes gestacional. Aquelas que têm jejum inferior a 92 mg/dl são submetidas posteriormente, entre as 24-28 semanas, a prova de tolerância à glicose oral, cumprindo critério de diagnóstico a existência de um ou mais valores alterados. 
A partir do diagnóstico, a grávida inicia pesquisa da glicemia capilar e das cetonas na primeira urina da manhã e são dadas recomendações alimentares (e encaminhadas para consulta de Nutrição) e de exercício (nomeadamente caminhadas, de preferência após uma refeição e sempre que não há contraindicação obstétrica). A avaliação diária e metódica da glicemia capilar é a única forma de perceber se é necessária intervenção farmacológica. 
 

 

A dieta polifracionada (3 refeições principais, 2-3 lanches e ceia) e o exercício são os dois pilares do tratamento, e só quando estes em conjunto não permitem atingir os objetivos metabólicos é que recorremos a terapêutica farmacológica. 
As opções de tratamento farmacológico são antidiabéticos orais (metformina e glibenclamida) e insulina. Ambas são seguras e não há diferenças relativamente à evolução da gravidez e complicações neonatais. No entanto, os antidiabéticos orais são menos dispendiosos, mais fáceis de administrar e conferem maior satisfação à grávida (visto que a insulina é injetável).
O objectivo do tratamento da DG é uma das metas definidas na Declaração de S. Vincent em 1989 de “conseguir que o resultado da gravidez na mulher com diabetes se aproxime do resultado da gravidez na mulher sem diabetes”. Com um bom controlo metabólico associado a uma vigilância obstétrica adequada conseguimos diminuir significativamente o risco de complicações fetais e maternas.
Após o parto, 6 a 8 semanas depois, devem realizar prova de tolerância oral à glicose. Estas mulheres têm um risco significativo de DG em futuras gestações (60-70%) e um maior risco de diabetes no futuro (25 a 75%). 
Dessa forma, antes da nova gestação é aconselhável a normalização ou redução do peso e avaliação da situação metabólica (glicemia em jejum e/ou HbA1c). 
Sugere-se também avaliação anual da situação metabólica e manutenção de hábitos de vida saudáveis: mais uma vez dieta polifracionada e exercício.