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Enf.ª Helena Bettencourt

Enfermeira Especialista
Saúde Materna e Obstetrícia

Enf.ª Helena Bettencourt

Tenho Diabetes Gestacional.
E agora?

HPA Magazine 18

Está grávida e na consulta com o seu médico foi informada que está com diabetes gestacional (DG)? Esta informação quando surge inesperadamente pode trazer consigo um turbilhão de dúvidas, inseguranças e sentimentos, por vezes difíceis de digerir.  
Se este é o seu caso, acredite que não está só neste sentimento. Na realidade, a prevalência da DG em 2018 foi de 8.8% da população grávida portuguesa. Contudo, verifica-se que essa prevalência tem tendência a aumentar com a idade das grávidas, sendo que em mulheres acima dos 40 anos de idade, a incidência sobe para os 17.7%. 
Com este artigo, vamos desmistificar este tema, de forma que a grávida saiba o que esperar e as possíveis implicações relacionadas com este diagnóstico para a mãe e para o bebé. 

 


Tenho Diabetes Gestacional


 

DEFINIÇÃO
A DG define-se por uma intolerância aos hidratos de carbono que é diagnosticada ou reconhecida pela primeira vez no decurso da gravidez. Pode ocorrer em qualquer mês de gestação, contudo é mais frequente na segunda metade da gravidez, nomeadamente a partir das 24 semanas de gestação e acaba por se auto resolver após o parto (exceto nos casos de diabetes não identificada antes da gravidez). 

RISCOS PARA MÃE E BEBÉ
Os riscos associados à DG são de fato substanciais, o que poderá ser ‘assustador´ para a grávida e núcleo familiar. No entanto, e antes de os mencionar, é importante referir que está comprovado que o controlo de glicemias está diretamente relacionado com a diminuição das complicações maternas, mortalidade e morbilidade perinatais. Além disso, quanto mais atempadamente for efetuado o diagnóstico e seu controlo metabólico, maiores serão os benefícios a alcançar.  
Então, quais são os riscos associados um mau controlo de glicemias?
• Aborto espontâneo
• Anomalias congénitas 
• Feto grande (macrossómico), o que poderá provocar complicações no trabalho de parto e parto, nomeadamente levar à indução de trabalho de parto, cesariana, distocia de ombros ou outras
• Excesso de líquido amniótico
• Pré-eclampsia
• Parto prematuro
• Complicações no parto
• Cesariana
• Hipoglicemias (baixa de açúcar) no recém-nascido nas primeiras horas de vida
• Icterícia no recém-nascido (aumento de bilirrubina no sangue)
• Morte fetal
A DG está também associada a um risco aumentado da grávida vir a desenvolver mais tarde diabetes tipo 2. 

 

TRATAMENTO
O tratamento da DG é multifatorial, sendo por isso indispensável o acompanhamento por uma equipa multidisciplinar.  Desta equipa deverão constar o médico obstetra, endocrinologista ou internista com experiência em diabetologia, enfermeiro especialista em saúde materna, dietista ou nutricionista, pediatra e psicólogo. 
O tratamento está assente em medidas de controlo não farmacológicas (em todos os casos) mas, nalguns casos poderão também ser utilizadas medidas de controlo farmacológicas.  
// Tratamento não farmacológico:
• Como já foi dito anteriormente, é fundamental o controlo dos níveis de glicemia o que implica avaliar diariamente a glicemia capilar por punção capilar (picada do dedo) até ao término da gravidez. Para isso, a sua enfermeira irá disponibilizar-lhe uma máquina de monitorização de glicemias juntamente com um plano de avaliações. No geral deverão ser realizadas avaliações da glicemia capilar diariamente, em jejum e 1 hora após o início das 3 principais refeições, podendo ser ajustado se necessário. Não se esqueça de fazer o registo. Este será uma peça essencial deste processo. 
• Monitorização fetal regular através de perfil biofísico e monitorização cardiotocográfica (CTG) para avaliação do bem-estar fetal.
• Boa adesão a um plano alimentar equilibrado e personalizado.
• Exercício físico adaptado à gravidez (se não houver contraindicação médica). 
• Apoio psicológico.
//Tratamento farmacológico:
• Se estas medidas não forem suficientes para atingir os valores de glicemia adequados, será necessário recorrer a tratamento farmacológico com medicação sob a forma de antidiabéticos orais (comprimido) e ou insulina subcutânea. Contudo, para o sucesso do tratamento farmacológico é fundamental associar as medidas não farmacológicas acima descritas.

A RETER
O diagnóstico de DG pode ser um processo assustador para a mulher devido às inúmeras alterações no estilo de vida, quer ao nível alimentar, físico ou pelo medo de ser “picada”, mas sobretudo pelos riscos associados à gravidez e ao feto, que este diagnóstico impõe. 
Contudo, com o apoio de uma equipa multidisciplinar competente e sensível para esta temática, este processo pode-se tornar menos penoso. O diagnóstico atempado bem como o controlo e tratamento das grávidas em risco é fundamental para uma melhoria dos outcomes obstétricos e perinatais.