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Dra. Joana da Ponte

Fisioterapeuta
Uroginecológica

Dra. Joana da Ponte

O tabu íntimo
Incontinência urinária e a fisioterapia

HPA Magazine 18

A incontinência urinária (IU) é uma situação patológica que resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída de urina. É caraterizada por perdas involuntárias que se apresentam de forma muito diversificada. 
Segundo a International Continence Society (ICS), para além de ser um problema de saúde e de higiene, a perda de urina é uma situação com repercussões a nível social e pessoal, originando alterações significativas na qualidade de vida da mulher e do homem, constituindo, assim, uma causa significativa de incapacidade e dependência.


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Existem vários tipos de incontinência urinária, sendo as mais comuns a IU de Esforço, Urgência e Mista. 
A de esforço carateriza-se pelas perdas de urina resultantes de gestos, que de alguma forma, exerçam pressão intra-abdominal, que pode acontecer ao espirrar, tossir ou até rir, assim como em atividades de esforço (pegar em pesos, correr e saltar). 
Acredita-se que as atividades de alto impacto podem afectar o mecanismo de continência graças à alteração da quantidade de força transmitida para o pavimento pélvico (PP) e pelo aumento excessivo da pressão intra-abdominal. Essas alterações comprometem os mecanismos de sustentação, suspensão e contenção do PP, que sofre sobrecarga intensa e repetida, promovendo o seu enfraquecimento.
A incontinência de urgência, ocorre por hiperatividade do músculo da bexiga – detrusor. Isto leva a que a pessoa tenha de recorrer frequentemente à casa de banho e possa experimentar algumas perdas por não chegar a tempo. 
O terceiro tipo de incontinência, a incontinência urinária mista, é a coexistência das duas anteriores, esforço e urgência. 
Uma das causas principais, refere-se ao enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico, estes músculos são responsáveis pelo suporte dos órgãos pélvicos e pelo controlo da micção e fecal e têm um papel preponderante na sexualidade. Têm uma ação tónica permanente em repouso, com predominância de fibras tipo I, resistentes à fadiga.
Esta patologia é uma consequência multifatorial, que pode ser provocada durante a gravidez, por traumatismos obstétricos, pela atividade física intensa e de alto impacto, por alterações hormonais decorrentes da menopausa ou mesmo por hábitos de vida errados. Também as cirurgias pélvicas, radioterapia e o prolapso genital (descaída do órgão pélvico) podem influenciar negativamente para esta patologia. Existem, porém, outros fatores e comorbilidades, como o excesso de peso, a obstipação, a idade e o tabaco que podem promover uma maior probabilidade para a disfunção pélvica.
O tratamento para a IU pode ser cirúrgico ou clínico, incluindo o tratamento medicamentoso e a fisioterapia. Nos últimos anos, a reeducação vesico-esfincteriana tem tido taxas de sucesso bastante promissoras e é aceite pela comunidade científica, sendo recomendada como a primeira linha de intervenção. 
Os exercícios do Pavimento Pélvico já remontam os 6000 anos, fazendo parte do exercício diário no Taoismo chinês. Hipócrates também descreveu regimes de exercícios nos banhos e ginásios na Grécia antiga e Roma. Pensava-se que ao fortalecer este grupo muscular promoveria saúde, longevidade, desenvolvimento espiritual e saúde sexual. Contudo, só se deu maior relevância na década de 1940, quando Artur Kegel descreveu a importância da reeducação perineal como opção preventiva e de tratamento na IU e incontinência fecal.

 

Atualmente sabe-se que a IU tem maior prevalência no sexo feminino entre os 45 e 65 anos. Afecta 20% da população portuguesa com mais de 40 anos e com tendência a aumentar com a idade.
Ainda sendo um assunto considerado tabu, é necessário existir uma abordagem mais séria e desmistificar esta doença. Sendo que apenas 10% dos doentes recorrem ao médico por problemas de IU. Assim sendo, os valores são subestimados pela falta de diagnóstico e tratamento.
A IU, sobretudo na mulher, é um grave problema cultural e é muitas vezes assumida como uma herança cultural, havendo a ideia de que é algo natural. Assim, a mulher vai arranjando soluções para se adaptar ao seu dia-a-dia estando condicionada a esta situação.
Também os homens apresentam este tipo de disfunção, estando sobretudo associado à cirurgia da próstata, levando muitas vezes à disfunção sexual.
A Fisioterapia em Uroginecologia, consiste essencialmente no tratamento e prevenção das disfunções da musculatura do PP, dentro das quais se destacam a incontinência urinária, incontinência fecal, prolapso dos órgãos pélvicos, dor e disfunções sexuais. 
Os tratamentos consistem em técnicas manuais e/ou instrumentais: aprendizagem motora (propriocepção e tomada de consciência dos músculos pélvicos); contração/relaxamento dos músculos do elevador do ânus (exercícios de Kegel); exercícios livres ou contra resistência; estiramentos; reeducação postural e diafragmático; bio feedback electro miográfico ou manométrico; electroestimulação intra cavitária ou neuro modulação periférica do nervo tibial posterior percutânea ou transcutânea (PTNS ou TTNS).
Desta forma, a reabilitação atua na promoção, prevenção, tratamento e recuperação, melhorando a função do pavimento pélvico e o controlo da função vesical e esfincteriana, podendo evitar ou retardar intervenções cirúrgicas. 
O tratamento deve ser realizado por um fisioterapeuta especializado na área. Consiste numa primeira sessão onde deverá ser feita uma anamnese e uma avaliação pormenorizada, e consoante os resultados, será estabelecido, em conjunto com o utente, um plano de tratamento. O paciente deverá em todo o momento, ser informado sobre as técnicas a serem utilizadas e consentidas pelo mesmo.
Estes tratamentos são indicados para todo o tipo de mulheres, em qualquer idade e/ou momento das suas vidas, desde a gravidez (pré e pós-parto) à menopausa, a situações de mulheres que praticam desportos de alto impacto; homens que tenham sido submetidos a prostatectomias, que sofram de disfunção eréctil ou ejaculação precoce, bem como a crianças com alterações da micção, sobretudo enurese nocturna.