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Enfª Cátia Santos

O rastreio do cancro colorretal
A sua importância e a sua eficácia

HPA Magazine 20

Quando falamos em rastreio de doenças digestivas isso reporta-nos logo ao cancro colorretal (CCR), na forma de adenocarcinoma em 98% dos casos. Estes tumores são mais frequentes nos países desenvolvidos, sendo o segundo tipo de cancro mais comum na Europa e afetando mais de meio milhão de pessoas por ano. Dada a sua importância foi criada a European Comission Initiative on Colorectal Cancer (ECCIC) que visa estabelecer normas de orientação em termos de rastreio e de tratamento do CCR a aplicar nos países europeus, de acordo com a evidência científica atualizada.


Uso racional de antimicrobianos e desenvolvimento de resistências


 

Quando falamos em rastreio de doenças digestivas isso reporta-nos logo ao cancro colorretal (CCR), na forma de adenocarcinoma em 98% dos casos. Estes tumores são mais frequentes nos países desenvolvidos, sendo o segundo tipo de cancro mais comum na Europa e afetando mais de meio milhão de pessoas por ano. Dada a sua importância foi criada a European Comission Initiative on Colorectal Cancer (ECCIC) que visa estabelecer normas de orientação em termos de rastreio e de tratamento do CCR a aplicar nos países europeus, de acordo com a evidência científica atualizada.
Em Portugal são diagnosticados cerca de 10.000 novos casos por ano e morrem diariamente em média 11 pessoas, o que faz desta a nossa principal causa de morte por cancro. Com um diagnóstico atempado a sobrevivência dos doentes com CCR numa fase inicial ultrapassa os 90%, mas apesar disto o rastreio, principal forma de deteção precoce destes tumores, continua a não ser uma realidade nacional, por assimetrias na resposta aos programas estabelecidos e por falta de acesso e/ou adesão da população à sua realização.
O cancro colorretal afeta os dois sexos e aumenta a sua incidência a partir dos 35 anos de idade, com 85 a 90% dos casos diagnosticados acima dos 50 anos, em todos os estratos sociais. É multifatorial, estando identificados fatores de predisposição genética e de estilos de vida potenciadores, nomeadamente o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a dieta rica em gorduras saturadas, a dislipidemia, a obesidade, o sedentarismo e a exposição a alguns químicos industriais – daí a importância da Saúde Digestiva.
A existência de antecedentes pessoais e/ou familiares de pólipos de risco ou de cancro colorretal, especialmente em familiares de primeiro grau, está igualmente associada a um aumento do risco, sendo maior quanto menor for a sua idade ao diagnóstico. Os indivíduos que pertencem a famílias com síndromes hereditárias de cancro (classificados como risco elevado) integram programas de rastreio e vigilância específicos.
Estas síndromes de cancro hereditários são o resultado de mutações genéticas (variantes patogénicas) no nosso ADN que poderão transmitir-se à descendência, aumentando significativamente o risco de doença oncológica em indivíduos dessas famílias. Atualmente estima-se que correspondam a cerca de 10-15% dos casos de cancro. Nestas famílias encontramos habitualmente indivíduos jovens na altura do diagnóstico de cancro, indivíduos que tiveram mais do que um tumor (maligno, benigno ou ambos) independentemente da idade, tumores com determinadas caraterísticas histológicas, várias gerações da mesma família afetadas ou a presença de tumores raros. As formas de síndrome hereditária de CCR dividem-se em CCR hereditário não associado a polipose (ex. Síndrome de Lynch) e associado a polipose cólica (ex. Polipose Adenomatosa Familiar Cólica associada ao gene APC ou ao gene MUTYH).
 

O rastreio tem como objetivos diagnosticar (idealmente) as lesões precursoras de CCR, na forma de adenomas/lesões serreadas sésseis, ou casos de CCR num estadio inicial, em indivíduos assintomáticos entre os 50 e os 75 anos de idade sem outros fatores de risco associados (risco médio). Depois dos 76 e até aos 85 anos a realização de exames de rastreio deverá ser uma decisão individualizada tendo em conta o estado de saúde da pessoa. Acima dos 85 anos de idade ou quando a sobrevida estimada é inferior a 10 anos não é recomendado. 
Existindo um familiar de primeiro grau com CCR (ou adenoma de risco) a idade de início do rastreio deverá ser reduzida para os 40 anos ou 10 anos antes do indivíduo mais jovem afetado na família.
 putorizada (vulgo TC ou TAC), a sigmoidoscopia flexível, os diferentes testes de fezes disponíveis e a vídeo cápsula do cólon), estes últimos com limitações no diagnóstico de lesões serreadas sésseis (planas) e que requerem a realização de uma colonoscopia quando positivos para completar o processo de rastreio. 
A colonoscopia permanece o gold standard do rastreio ao ser o único teste direto, permitindo simultaneamente o diagnóstico e a terapêutica de lesões precursoras, bem como a colheita de amostras e a marcação de lesões para posterior abordagem cirúrgica na suspeita de CCR. Tem, no entanto, limitações como o facto de exigir uma dieta e preparação prévias, ser um exame invasivo e com custo económico significativo. É também insuficiente o número de unidades de endoscopia digestiva e de especialistas médicos e de enfermagem atualmente existentes para o rastreio em massa.
O American College of Gastroenterology na sua última revisão recomendou a realização de colonoscopia ou do teste imunoquímico fecal (em inglês abreviado FIT) como primeiras escolhas no rastreio do CCR – ressalvando apenas a colonoscopia para indivíduos com familiares de primeiro grau afetados – e sugerindo os restantes testes para indivíduos sem condições para, ou que recusassem a sua realização. Os intervalos recomendados para os diferentes testes, sempre que negativos seriam de 1 ano para o FIT, 10 anos para a colonoscopia, 3 anos para o teste de DNA fecal e de 5 anos para a sigmoidoscopia flexível, colonografia por TC e vídeo cápsula do cólon.
Foi igualmente recomendada a realização de programas de rastreio organizados para 80% da população elegível (no mínimo) e com recurso a métodos que garantissem uma melhor adesão. Igualmente importante seria o registo e a avaliação dos resultados sinalizando os positivos de forma a garantir a realização da colonoscopia em tempo útil. Só assegurando estas premissas se irá reduzir de forma significativa a incidência de cancro colorretal e a sua mortalidade no futuro.