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Enfº. Alain Pires Delgado

Enfermeiro Especialista 
em Saúde Materna 
e Obstetrícia

 

Enfº. Alain Pires Delgado

Multiculturalidade no parto

No serviço de ginecologia e obstetrícia do HPA Gambelas - dados estatísticos

HPA Magazine 20

A emigração do ser humano visou desde sempre a procura de melhores condições de vida que proporcionem prosperidade, estabilidade ou melhores condições de conforto. 
Na Europa, esta dinâmica não é nova, se recordarmos que na década de 60 e 70 os Portugueses seguiram em massa para outros destinos como França, Alemanha, Itália ou Luxemburgo, para além de outros destinos intercontinentais. Nestes países, milhares de portugueses procuravam um futuro melhor, e muitos também tiveram a experiências da maternidade em ambientes socioculturais diferentes dos nossos. 



 

Hoje, também o nosso país atrai outros povos e tornou-se o destino de pessoas que procuram uma qualidade de vida melhor para as suas famílias. 
Enquanto algumas procuram novas oportunidades sociais e laborais mais vantajosas, outras vêm à procura de um destino turístico com temperaturas mais agradáveis e de qualidade de vida, num país ainda relativamente seguro. 
Este fluxo migratório proporciona que o setor da saúde tenha cada vez mais contactos frequentes com culturas diversas que anteriormente se verificavam de forma pontual. 
Esta imigração é feita muitas vezes por pessoas jovens, logo em idade fértil e em fase de constituir família. Este facto, proporciona que os profissionais das maternidades tenham um contacto frequente com uma variedade de casais das mais variadas culturas. 
Todos sabemos que a maternidade é uma experiência única e pessoal, mas os emigrantes possuem uma experiência social e cultural diferente, desenvolvida pelas suas experiências diversas. 
Muitas vezes não estão no país há muito tempo, nem possuem conhecimentos linguísticos nativos suficientes para esclareceram dúvidas ou aprenderem num breve período os conceitos de outra sociedade. 
A suas expectativas foram muitas vezes desenvolvidas num ambiente oposto ao que encontram em Portugal.  Noutros países os ambientes sócios-culturais, religiosos, linguísticos e étnicos podem variar muito e induzem expectativas muito diferentes também no momento do parto. A nível nacional a estatística fornecida pelo INE sobre os partos de população estrangeira realizados em 2021, (último ano apresentado pela estatística oficial nacional), são cerca de 13.6 % do total de partos em Portugal. 
Segundo os mesmos dados do INE nesse ano existiu um aumento de imigração para o nosso pais, existindo 51.000 entradas de pessoas não naturais do nosso país. Segundo esta fonte, desde 2016 tem existido um saldo migratório positivo que tem vindo a crescer, resultante do diferencial entre as saídas por emigração e as entradas por imigração.
No nosso hospital podemos comparar os dados de 2021 com os de 2022 no que toca à evolução dos partos por nacionalidade.
Fig. 1- Percentagem de partos por nacionalidade em 2021 e 2022 no HPA-Faro

Analisando os dados do nosso Hospital em 2021, o total de partos de estrangeiros realizado na nossa maternidade tinha sido de 15.9%. Deste número, 59.6% foram provenientes de países europeus, sendo os países mais representados a Inglaterra com 25.8% e a Holanda com 17.7%. Os partos de parturientes naturais de países da América do Sul representaram 28.8%, sendo na sua esmagadora maioria parturientes de nacionalidade Brasileira, com 93.3%.  A América do Norte, Ásia e África tiveram uma representação de 3.8% do total de partos de estrangeiros. O número total de nacionalidades encontradas em 2021 foi de 25 países (excetuando a nacionalidade Portuguesa.)
Fig. 2- Distribuição dos partos por continentes

No ano de 2022, a percentagem de estrangeiros a realizarem o parto na nossa maternidade foi de 19.5 %.  Desta percentagem 55.07% foram provenientes de países da Europa, sendo os países mais representados, o Reino Unido com 25%, a França com 10.5% e a Alemanha com 9.2%.
Da América do Sul tivemos uma representação de 33.3%, e mais uma vez a nacionalidade Brasileira foi a que se destacou com 97.8%.Do restante mundo a América do Norte teve 5 %, a Ásia cerca de 3.6 % e 2.8% com proveniência do continente africano. Alem da nacionalidade Portuguesa, o número total de nacionalidades identificadas foi de outros 25 Países.Com base nos dados obtidos nos anos de 2021 e 2022, vemos que existiu um aumento de 15.9% para 19.5% nos partos realizados na população estrangeira. Se, porém, analisarmos a população portuguesa, temos 84% do total de partos em 2021 e 80.4% durante o ano de 2022, sendo uma percentagem enganadora, pois o número total de partos portugueses também aumentou.
Verificou-se um aumento de 3.6% nos partos realizados em parturientes com outras nacionalidades. Um dos maiores crescimentos foram os partos com nacionalidade brasileira com mais 4.5%. Não podemos esquecer que conhecer o número exato do total de partos de estrangeiros pode ser uma tarefa difícil pois os utentes que possuem cidadania passam a pertencer à estatística portuguesa. A nível nacional o INE ainda não tem disponíveis os dados de 2022 que seria interessante para comparação dos dados nacionais com os dados obtidos pela nossa maternidade. Com base nos dados que dispomos podemos concluir que existe uma tendência crescente para a imigração na região do Algarve nos anos mais recentes.  Em consequência disso, existe um aumento de grávidas estrangeiras em Portugal em particular no Algarve, pelo que consequentemente os partos têm aumentado.  Na nossa Maternidade apostamos numa formação constante da equipa, de modo a melhorar os mecanismos de comunicação, permitindo ajustar ao casal todas as informações pertinentes a transmitir no periparto, parto e pós-parto.  O objetivo é proporcionar uma assistência e um parto humanizado e seguro independentemente da proveniência das parturientes.