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Dr.ª Cristina Miguel 

Médica Psiquiatra

Dr.ª La Salete Santos

Mestre em Psicologia 

Respeitar / Apoiar / Superar
Um novo programa terapêutico de saúde mental

HPA Magazine 8


Com base nos dados epidemiológicos recolhidos na última década, é hoje evidente que as perturbações psiquiátricas e os problemas relacionados com a saúde mental se tornaram a principal causa de incapacidade e uma das principais causas de morbilidade principalmente nos países ocidentais industrializados.
A prevalência das perturbações psiquiátricas em Portugal é muito elevada, manifestando-se como a segunda mais alta a nível europeu, com um valor quase igual à da Irlanda do Norte, que ocupa o primeiro lugar. 
Apesar das estatísticas e de algumas ações implementadas nos últimos tempos, a saúde mental continua a ser considerada o “parente pobre” das políticas de saúde e a área onde menos se tem investido.
Para contrariar este facto o Grupo HPA Saúde vai apostar nesta tipologia de cuidados, concretamente ao nível de um internamento especializado, cuja conceção está para além de uma oferta terapêutica inovadora, enformando uma nova filosofia de vida e de bem-estar.
Esta unidade estará brevemente disponível na nova Clínica Particular SIIPEMOR, em São Brás de Alportel e conta com uma oferta diversificada de terapias e serviços. Conversámos com a Dr.ª Cristina Miguel, psiquiatra, mentora e responsável deste projeto.



É VERDADE QUE AINDA HÁ MUITO PRECONCEITO RELATIVAMENTE À DOENÇA PSIQUIÁTRICA? 
Felizmente, cada vez menos. Hoje em dia é rara a pessoa que não conhece alguém próximo com algum tipo de doença ou sintoma psicológico, ou está a passar ou já passou por isso. A elevada prevalência da doença mental, a disponibilidade de informação esclarecedora sobre as suas causas e a eficácia das terapêuticas atuais, têm ajudado a afastar o preconceito. Quando abandonarmos a crença de que a doença mental é sinónimo de “fraqueza” psicológica, este preconceito desintegra-se. A verdade é que a doença mental não escolhe género, idade, estrato social ou cultural e, nem religião. A doença mental pode atingir qualquer um, mesmo aqueles com quocientes de inteligência cognitiva, social e emocional mais elevados. Isto acontece porque a sua etiologia é muito complexa e multifatorial. Para já, não existem análises clínicas que comprovem a doença mental ou as alterações químicas que lhe estão subjacentes.

PODE EXPLICAR-NOS MELHOR QUAIS AS CAUSAS DA DOENÇA PSIQUIÁTRICA?
Tal como a doença orgânica ou física os fatores implicados na doença psiquiátrica são múltiplos. 
Em cada caso particular de doença, na sua etiologia existe um predomínio variável entre fatores que designamos biológicos, como a genética, as questões hormonais, inflamatórias, vasculares e, os fatores psicológicos. Nestes últimos, incluímos a forma particular como cada um interpreta, sente e atua perante as situações de vida. Quando uma situação tem um impacto emocional negativo em alguém, esse stresse emocional (sentimento de medo, culpa, mágoa, frustração, tristeza ou vergonha) afeta o seu equilíbrio neurobioquímico. E, dependendo da magnitude dessa influência e da vulnerabilidade biológica da pessoa a esse nível, a doença pode, ou não, manifestar-se. 
Exatamente por isso, reconheço bem o valor da medicação enquanto facilitadora do (re) equilíbrio químio. Na maioria dos casos, só nesse estado de maior equilíbrio é possível modificar as variáveis psicológicas que conduziram ao surgimento da doença, a mantém, e que se não forem “trabalhadas” podem condicionar novas crises em situações futuras.

MUITAS VEZES AS PESSOAS SOFREM DE ALTERAÇÕES PSIQUIÁTRICAS E EMOCIONAIS DURANTE VÁRIOS ANOS. PORQUE NÃO DAMOS IMPORTÂNCIA AOS SINAIS?
Poderia levantar várias hipóteses, como o facto de estarmos muito centrados em nós mesmos e na nossa vida, ou pior, pouco sensíveis ao sofrimento alheio. Contudo, a minha resposta mais honesta a esta pergunta é diferente, e baseia-se em vários casos que assisto em consulta. 
Refiro-me, sobretudo a pessoas que são muito exigentes consigo mesmas e se sentem responsáveis por tudo e por todos, não se permitindo durante muitos anos ”Ser”, ou seja, tendem a viver voltadas para os outros e para o trabalho, esquecendo-se de si mesmas. Estas pessoas têm muita dificuldade em aceitar e em respeitar os seus próprios limites e as suas limitações. Criam uma “máscara” social, convencidos de que resolvem tudo e de que são muito “fortes”, como se fossem totalmente imunes ao stresse e às adversidades (o que é humanamente impossível). Convencem-se disso, a eles e aos outros, até que chega o momento em que os sinais de desgaste psicológico aparecem, sendo poucos os que conseguem, ou se permitem “ver”. É num estado extremo de incapacidade e de sofrimento, que estas pessoas procuram ajuda. Estes são os casos designados na gíria de “esgotamento” mental.

COMO NASCEU A UNIDADE DE INTERNAMENTO?
Inicialmente, esta ideia surgiu da vontade (e da necessidade) de se criar uma alternativa ao internamento psiquiátrico que é oferecido pelo Serviço Público na região do Algarve. Indo de encontro a esta necessidade, eu e a Dr.ª La Salete Santos, psicóloga clínica, desenvolvemos este projeto, procurando por um lado, superar limitações há muito identificadas no internamento psiquiátrico público e, por outro, inovar ao nível da intervenção terapêutica oferecida em contexto de internamento. 
Após delinearmos esta ideia, o desafio foi-nos feito pelo Grupo HPA e, em particular pelo Dr. João Bacalhau, que por partilhar a nossa visão sobre a doença e o tratamento em saúde mental, nos incitou e apostou na concretização da Unidade. 

O QUE FAZ COM QUE SEJA UM PROJETO ÚNICO, INOVADOR E DE REFERÊNCIA NACIONAL?
Procuramos trazer ao contexto de internamento psiquiátrico a possibilidade do indivíduo não só recuperar dos sintomas (psicopatologia), cuja gravidade muitas vezes conduz à hospitalização, mas também assim que possível, iniciar um processo mais profundo, podendo permitir-se “trabalhar” as raízes psicológicas desses sintomas. O mais inovador neste projeto é a forma única como este caminho de crescimento pessoal lhe é apresentado e facilitado, respeitando a filosofia.

A QUEM SE DESTINA ESTA UNIDADE DE INTERNAMENTO? 
Esta Unidade destina-se a adultos que careçam de internamento por doença psiquiátrica. Tratamos casos de depressão e de ansiedade, como as perturbações obsessivo-compulsiva, o de pós-stress traumático, de fobia social, o de pânico, a de ansiedade generalizada e a síndrome de burnout. Recebemos e trabalhamos problemas de personalidade e do comportamento, como a impulsividade, as automutilações, as intoxicações medicamentosas, e as perturbações alimentares. Nos casos de abuso de substância, como o álcool e outras adições, contamos também com o apoio próximo da Medicina Interna, sobretudo na fase de abstinência.

PORQUE ESCOLHERAM O NOME PARA ESTA UNIDADE DE INTERNAMENTO? 
Diariamente com a nossa aprendizagem pessoal e junto aos pacientes, aprendemos que todos temos recursos terapêuticos internos extraordinários, que desconhecemos ou desacreditamos. O nosso Programa Terapêutico baseia-se na descoberta e ativação destes recursos pessoais. Neste processo, a esperança e a autoconfiança crescem ao ritmo das aquisições individuais feitas, tornando-se mais fácil acreditar na recuperação e sobretudo valorizar o contributo pessoal de cada um. Esta convicção torna possível ao indivíduo, mesmo em estado de doença, a aceitação, o compromisso e o envolvimento pessoal necessários à mudança para uma versão melhor de si próprio. 
O nome sumariza exatamente esta visão, que até aqui apenas usávamos em registo de consulta e quisemos trazer para o contexto de internamento.

A QUE RECURSOS PESSOAIS SE REFERE E DE QUE FORMA SÃO DESENVOLVIDOS COM O PROGRAMA?
Acredito que os momentos de sofrimento psicológico são oportunidades únicas para o autoconhecimento e crescimento pessoal de cada um. A dor e o desconforto criam as condições necessárias para nos permitirmos parar e afastar do nosso ritmo de vida. Justamente, este ponto de distanciamento, convida-nos a colocar em perspetiva as situações problemáticas que nos conduziram até ali e a observar o que pensamos e sentimos sobre essas vivências. Buscamos uma compreensão, um sentido ou um significado para o que estamos a passar. 
Este programa terapêutico acompanha o paciente nesta viagem de autoconhecimento, sobre si mesmo e, em particular sobre as suas vulnerabilidades psicológicas, tornando-o mais consciente dos padrões emocionais, de pensamento e de comportamento responsáveis pelo seu sofrimento e pelos seus sintomas psicológicos. Por fim, são ensinados melhores recursos através dos quais o indivíduo pode permitir-se “trabalhar” as suas fragilidades. 

A MAIORIA DAS PESSOAS QUE SOFRE DE DEPRESSÃO OU ANSIEDADE RESPONSABILIZA OS ACONTECIMENTOS NEGATIVOS DA SUA VIDA PELO SEU ESTADO. SE BEM PERCEBI DESSA FORMA NÃO ESTÃO A AJUDAR-SE.
Quando responsabilizamos alguém ou alguma situação pelo nosso desconforto e sofrimento, estamos de facto a ceder a esse alguém ou a essa situação o poder sobre o nosso estado emocional. Ou seja, a nossa saúde e paz interior fica dependente de um pedido de perdão ou mudança no outro, ou da resolução da situação adversa em causa. Além destes casos de apego a mágoas ou revoltas, há ainda aqueles em que a doença é mantida por sentimentos de culpa por julgarem ter falhado, não se permitindo avançar com a aprendizagem dos erros.
Neste Programa Terapêutico trabalhamos a autorresponsabilização de cada um pelo seu estado emocional e pela sua recuperação, o que implica, além da mudança no seu sistema de crenças e de convicções, a aprendizagem de novos recursos internos.

QUE TIPOS DE TRATAMENTO E DE QUE FORMA SÃO OFERECIDOS NA UNIDADE DE INTERNAMENTO ? 
O internamento na Unidade oferece uma agenda diária, definida para os 7 dias da semana, com várias modalidades terapêuticas, individuais e em grupo, ministradas num ambiente securizante, calmo e tranquilo, afastado do stresse e das distrações da vida diária. Na sua estrutura o Programa Terapêutico integra vários elementos de protocolos terapêuticos clássicos e recentes, atualizados num formato humanizado e inovador que ilustra a experiência clínica de sucesso da Equipa. Trata-se de um programa flexível que permite o acompanhamento psicológico próximo e personalizado, caso a caso, respeitando a problemática em causa e suas especificidades, a realidade sócio cultural do indivíduo e o seu sistema de crenças e de convicções. 
O tratamento farmacológico é usado seletivamente sempre que necessário e consentido. 
Diariamente, além do acompanhamento psiquiátrico e psicológico individual, em contexto de grupo decorrem, entre outras, sessões de psicoeducação, de videoterapia, de arteterapia, de dançaterapia, e de meditação e relaxamento. As Terapias de Grupo e de Hipnose Clínica foram desenvolvidas por nós e são apresentadas com conteúdo originais e únicos na Unidade.

 PODE DESCREVER-NOS A UNIDADE? 
Esta Unidade localiza-se no 1º e 2º pisos da Clínica Particular SIIPEMOR, em São Brás de Alportel. A Clínica beneficia de uma vista agradável sobre a serra e sobre o recente projeto paisagístico Parque das Amendoeiras, localizado numa das suas laterais. A estrutura e a decoração da Unidade reflete bem a filosofia do Programa Terapêutico , pretendendo acolher, serenar e inspirar aqueles que ali trabalham e recuperam. No 1º piso funcionará o internamento, composto por receção central, sala de convívio e de refeições, quartos individuais e duplos e sala de enfermagem. O piso 2 destina-se à realização das consultas individuais de psicologia e de psiquiatria e à maioria das atividades terapêuticas em grupo. Nesse piso localizam-se dois gabinetes clínicos, uma ampla sala multiusos e um agradável espaço de convívio exterior, tudo desenvolvido com o melhor cuidado de segurança. 
No piso 0 funcionará um Serviço de Atendimento Médico Permanente, que conta com múltiplas especialidades médicas e serviço de realização de exames de imagem, que também darão apoio à nossa Unidade se necessário.
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