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Dr. Guy Vieira

Médico Especialista 
em Medicina Nuclear 
e Radioncologia

Centro de Hipertermia

Mais uma arma contra a doença oncológica e não só...

HPA Magazine 9

 

Genericamente o termo Hipertermia corresponde ao aumento da temperatura acima do nível fisiológico com o objetivo de atingir uma maior eficácia terapêutica, estando definida como o aumento da temperatura a um alcance entre 39ºC e 44ºC. A Oncologia tem desde há alguns anos recorrido igualmente a esta alteração fisiológica como forma de destruição das células tumorais, através de duas modalidades: a Hipertermia Loco-Regional por Radiofrequência e a Hipertermia do corpo inteiro por Infravermelhos.
O Dr. Guy Vieira esclarece-nos acerca de mais esta arma no combate à doença oncológica, disponível desde outubro no Hospital de Gambelas e o segundo centro a ser instalado em Portugal.


Fisiologicamente como atua a Hipertermia na doença oncológica?
Tanto a Hipertermia Loco-Regional por Radiofrequência quanto a Hipertermia de corpo inteiro por Infravermelhos, são métodos de tratamento que isoladamente ou em associação à quimioterapia e/ou radioterapia têm como objetivo a destruição das células tumorais, sendo as sessões de ambas as modalidades efetuadas em meio ambulatório, não necessitando por isso de hospitalização.
De forma global a Hipertermia simula o mecanismo da febre, que como sabemos é uma resposta fisiológica de defesa, que provoca a libertação de substâncias reguladoras com efeito protetor para o organismo doente, aumentando a ação imunitária do mesmo.
Como as células tumorais possuem uma membrana alterada, conseguimos provocar a sua morte (através da apoptose, que é a morte celular programada) devido ao sobreaquecimento induzido e, através de uma outra via interferir no ciclo mitótico da célula cancerosa e colocá-lo numa fase mais sensível aos outros tipos de tratamentos (quimioterapia e/ou radioterapia).

Esta modalidade é recente em Portugal, aliás só existe no HPA, no Porto e muito recentemente em Lisboa, mas em alguns países há muitos anos que é aplicada. quais são as razões?
Creio que a razão se deve principalmente ao investimento e à sensibilidade de adesão a outras modalidades de tratamento. São equipamentos dispendiosos e apesar de ser usada desde há muitos anos, caiu em desuso pelos efeitos secundários que na altura provocavam. Felizmente, tal como em outras áreas médicas, houve um desenvolvimento tecnológico e hoje a Hipertermia é usada com total segurança. E a prova é que em alguns países se manteve ativa e hoje é muito usada, como o caso da Alemanha. 
Penso que a Hipertermia é um pilar no tratamento oncológico, em associação às modalidades clássicas, como a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, com a vantagem de poder ser também aplicada com as novas terapias oncológicas emergentes, como a terapia genética, a cirurgia reconstrutiva com células mãe, na associação com a radio cirurgia estereotáxica (técnica utilizada na radioterapia com doses em fração única ou múltiplas), nas vacinas anticancerígenas ou mesmo com os novos fármacos, como a imunoterapia.

Que diferenças existem entre as duas modalidades disponíveis de hipertermia?
O objetivo da Hipertermia Loco-Regional por Radiofrequência é alcançar uma dose térmica ótima no tumor, seja ele superficial ou profundo, sem exceder os limites de tolerância dos tecidos normais circundantes. A Hipertermia local é aplicada de forma externa e não invasiva pelo meio de dois elétrodos ativos, os quais emitem uma energia eletromagnética dirigida ao local de tratamento conduzindo à destruição das células cancerosas, de forma seletiva e focalizada. As sessões duram aproximadamente 60 minutos e está indicada em tumores do colo do útero, cabeça e pescoço, pulmão, mama, pâncreas, melanoma, bexiga, reto, próstata, esófago, sarcomas dos tecidos moles e sistema nervoso central. O uso de pacemaker contraindica este tratamento, por haver interferência do campo electromagnético na programação do pacemaker.
Por seu lado, a Hipertermia de corpo inteiro por Infravermelhos produz uma irradiação para todo o corpo, tendo cada sessão a duração de aproximadamente 180 minutos. As indicações são semelhantes à Hipertermia Loco-Regional por Radiofrequência, sendo que as contraindicações dizem respeito à presença de infeções agudas, insuficiência cardíaca, enfarte do miocárdio, hipertiroidismo, gravidez ou epilepsia. Este é também o tipo de tratamento que pode ser usado na estimulação do nosso sistema imunitário (de defesa).

A Hipertermia pode ser utilizada em qualquer fase da doença?
Sim, em qualquer fase e em conjunto com outros tratamentos. Aliás, os estudos referem que são um dos melhores coadjuvantes da radioterapia e da quimioterapia, pois aumentam a eficácia destes. 
Estudos clínicos recentes têm também demonstrado evidência em relação às doenças não oncológicas, como processos inflamatórios crónicos de vários tipos (Bronquite, Asma, Prostatite, Colite Ulcerativa, Doença de Crohn), na Fibromialgia, na doença degenerativa do sistema locomotor ou em processos virusais crónicos e recorrentes selecionados. Existem também estudos e centros que a usam, com eficácia, nos tratamentos de anti envelhecimento (anti-aging) em associação com outros tipos de tratamentos.

A eficácia deste tratamento é idêntica no que respeita aos diferentes cancros? e se a situação já estiver espalhada (metastizada)? 
As situações oncológicas descritas anteriormente são aqueles onde as indicações têm tido mais evidência, pois geralmente são doentes que "esgotaram" as armas terapêuticas ou que a sua eficácia já não é a mesma. Quanto à metastização, sim pode e deve ser utilizada, nomeadamente em quadros de metastização de múltiplos órgãos (ex: fígado, pulmão e osso) ou ainda sob a forma de recorrência local ao nível da mama (parede torácica).

Como atua a Hipertermia em conjunto com a quimioterapia e a radioterapia?
Esta relação explica-se através do aumento da temperatura conseguido nos órgãos afetados, onde promove uma maior sensibilidade nas respetivas células tumorais, otimizando assim os benefícios esperados desses tratamentos. No caso concreto da quimioterapia, favorecendo o aumento do fluxo dos fármacos na zona corporal onde eles mais fazem falta. Relativamente à radioterapia, favorecendo os tecidos com mais oxigénio, onde a radioterapia é mais eficaz e diminuindo alguns dos efeitos secundários produzidos pela acumulação de radicais livres provenientes das sessões.

A Hipertermia está contraindicada em alguns tumores? e quanto a efeitos secundários?
Quanto às contraindicações elas só existem para pessoas com pacemaker cardíaco como havia dito, no caso da Hipertermia loco-regional, nos casos de intervenções cardíacas como o bypass coronário ou quando existem próteses metálicas próximas à área do tumor ou área de irradiação.
Além de não serem invasivas, estas modalidades terapêuticas não compreendem quaisquer riscos para o doente, nem provocam efeitos secundários adicionais relevantes. A maioria dos doentes ao terminar a sessão de Hipertermia refere sentir-se bem pela influência do calor, não obstante a possibilidade de apresentarem cansaço. Em casos isolados, a destruição de células cancerígenas pode resultar numa febre ligeira para o doente. No entanto, ambos os efeitos são considerados como uma boa resposta ao tratamento.

 

Hipertermia Loco-regional

 

 

 

 

 

 Hipertermia do Corpo Inteiro