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Dr. Miguel Coutinho

Neuropsicólogo

Medo de viajar de avião?

Aperte o cinto. A realidade virtual vai ajudá-lo

HPA Magazine 9


Define-se Aerofobia como o medo acentuado, persistente e excessivo que surge quando a pessoa é confrontada com a perspetiva de viajar de avião. A exposição a um estímulo fóbico provoca regularmente uma reação de ansiedade – nalguns casos pode atingir o ataque de pânico – que o indivíduo reconhece como desproporcionada e que produz um enorme transtorno e interferência na sua vida pessoal, profissional, social ou familiar. Alguns estudos referem que entre 20 e 40% da população adulta tem medo de viajar de avião.


Apesar de não existirem fobias de voo iguais, ou seja, cada pessoa tem os seus motivos e as suas histórias pessoais para manifestar este medo, a verdade é que existem muitas descrições semelhantes: “é um suplício”, “é como entrar no inferno”, “sinto como se fosse o último dia da minha vida”, “tenho pesadelos só de pensar”.
Apesar de alguns destes desabafos serem metafóricos, a verdade é que as pessoas com aerofobia apresentam sinais físicos reais de medo e pânico: taquicardia, falta de ar, tremores, suores frios, boca seca, insónias. Estes sinais, tal como os sintomas cognitivos (pensamentos negativos) e comportamentais podem surgir no dia do voo, em situações como no-show (falta de comparência ao check-in ou não embarque) ou, em casos mais graves, semanas ou mesmo meses antes da viagem (ansiedade antecipatória). Além disso, estas situações podem afetar tanto pessoas que nunca voaram, quanto passageiros aéreos frequentes.
Existem várias terapias para combater ou diminuir as fobias. Nos últimos anos a Realidade Virtual, com óculos 3D e monitorização bio feedback (auto regulação através de medidas fisiológicas) tem evidenciado bons resultados.
Este método inovador exige um confronto direto com a fobia, cujos protocolos de tratamento são ajustados às idades - crianças ou adultos -, sendo condição importante a distinção entre realidade e fantasia, assim como ausência de diagnóstico de epilepsia. 
A finalidade por detrás do tratamento de exposição é enfrentar gradualmente as situações temidas, a fim de praticar a resposta apropriada para que as reações sejam racionais e adaptativas para a situação, no fundo criar a oportunidade de adquirir competências e interpretar a condição como não ameaçadora.
O facto de o tratamento ser realizado através de Realidade Virtual induz a sensação de segurança no indivíduo, pois está num ambiente controlado, embora o cérebro reaja como se o ambiente fosse real. Assim, torna-se mais fácil para o neuropsicólogo ajudar a pessoa, podendo aumentar a dificuldade dos estímulos de forma supra ordenada, conforme a reação do mesmo (por observação comportamental, monitorização por bio feedback e perceção do nível de ansiedade), sem que nunca aconteça algum problema (a presença do neuropsicólogo e o protocolo de trabalho que inclui as tarefas prévias e posteriores à exposição gradual, fornecem os elementos de securização necessários para o sucesso terapêutico).
Durante a terapia o doente aprende a identificar os elementos que o levaram a temer a situação, bem como as estratégias de confronto para quebrar os ciclos disfuncionais. Na experiência de exposição virtual pratica-se as estratégias de confronto até a pessoa se sentir confortável o suficiente para deixar o espaço virtual e realizar essas situações na vida real, utilizando essas novas aprendizagens.
Na condição de voo, os programas permitem definir as condições meteorológicas, a fase do processo (descolagem, voo, aterragem), o número de passageiros e a hora do dia. Além disso, esta tecnologia permite usar fotografias em 360º do Street View (a funcionalidade de navegação imersiva e panorâmica dos Google Maps), assim como descarregar vídeos em 360º do Youtube. Deste modo, existe a possibilidade de se poder voltar ao local exato por exemplo de um acidente de viação.
Existem outras fobias e/ou situações onde a Realidade Virtual tem provado igualmente eficácia: fobia de alturas (Acrofobia), aranhas (Aracnofobia), falar em público (Glossofobia), espaços abertos (Agorafobia), escuro (Nictofobia), agulhas ou tirar sangue (Aicmofobia e/ou Hemofobia) e/ou situações de desempenho (o caso de atletas em situação de competição ou alunos em contexto de provas/exames).

VANTAGENS DA REALIDADE VIRTUAL

CONFIDENCIALIDADE

  • Mantém-se a confidencialidade da pessoa, uma vez que as sessões de tratamento são realizadas no consultório;

SEGURANÇA

  • A situação de exposição/ansiogénica pode ser encerrada e o sistema de Realidade Virtual desligado em qualquer momento que a pessoa o solicite;

FLEXIBILIDADE

  • Se a pessoa se sentir assustada com um aspeto da exposição, isso poderá ser praticado repetidamente no mundo virtual; 

AMBIENTE VIRTUAL

  • A experiência é apenas irreal o suficiente para que as pessoas que resistiram à terapia devido a abordagens in vivo ou à exposição direta se encontrem dispostas a tentar o tratamento; 

TEMPO

  • O período de tempo envolvido torna-se mais reduzido, uma vez que o tratamento pode ser conduzido dentro da "hora terapêutica” (ex.: sem deslocação a aeroportos e outros locais ansiogénicos);

COMPLEMENTARIDADE

  • Pode ser combinada com outras técnicas psicoterapêuticas e farmacológicas.