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Notícias

Burnout: quando o trabalho esgota

Há momentos em que o cansaço deixa de ser “normal”. Acordar sem energia, sentir o trabalho a pesar antes de começar e perceber que a motivação desapareceu pode ser sinal de burnout (esgotamento profissional).

É essencial reforçar: burnout não é fraqueza. É um sinal de alarme de que o stress laboral se tornou prolongado e difícil de gerir.

O que é o burnout?

burnout é uma resposta ao stress crónico no contexto de trabalho. A Classificação Internacional de Doenças (ICD-11) descreve-o através de três dimensões:

   •    Exaustão;
   •    Distanciamento mental do trabalho (sentimentos de negativismo/cinismo);
   •    Redução da eficácia profissional.

Mesmo não sendo classificado como “doença” (mas enquanto síndrome), pode exigir avaliação e acompanhamento para evitar o agravamento e impacto na saúde mental e física.

Sinais de alerta: como reconhecer

O burnout instala-se, muitas vezes, de forma gradual. Os sinais mais frequentes incluem: 

No corpo

   •    Cansaço persistente, mesmo após descanso;
   •    Dores de cabeça, tensão muscular e queixas gastrointestinais;
   •    Alterações do sono (dificuldade em adormecer/despertar a meio da noite).

Na mente e nas emoções

   •    Irritabilidade e impaciência;
   •    Dificuldade de concentração, esquecimentos e sensação de lentidão mental;
   •    Ansiedade antes do trabalho, desmotivação e sentimento de cinismo.

No comportamento

   •    Mudança dos hábitos e rendimento; 
   •    Dificuldade em cumprir as responsabilidades habituais;
   •    Isolamento e menor tolerância a colegas/utentes/clientes;
   •    Procrastinação e absentismo (incluindo atrasos ou saídas antecipadas).

Quando estes sinais persistem por semanas, devem ser encarados com seriedade.

Burnout e depressão: qual a diferença?

Podem coexistir e partilhar sintomas, mas nem sempre são a mesma realidade. No burnout, o fator desencadeante é tipicamente o trabalho, com exaustão e distanciamento ligados ao contexto profissional. Na depressão, os sintomas tendem a ser mais abrangentes, afetando várias áreas da vida.

Em qualquer dos casos, quando existe sofrimento, há motivo suficiente para procurar ajuda.

Porque acontece?

Na maioria dos casos, não é “só” excesso de trabalho. O burnout costuma surgir pela acumulação de fatores como:

   •    Carga de trabalho elevada e contínua, sem recuperação;
   •    Falta de autonomia e objetivos pouco claros;
   •    Pressão constante, conflitos e pouca cooperação;
   •    Falta de reconhecimento, sentimentos de injustiça e insegurança;
   •    Incompatibilidade de valores (ex. querer fazer algo bem e não ter condições).

O que fazer antes de chegar ao limite

Tomar consciência do problema é o primeiro passo. Medidas simples podem ajudar a travar a escalada:

   •    Defina 1–2 prioridades por dia e aceite o restante como extra; 
   •    Estabeleça limites: horários, pausas, notificações e e-mails fora de horas;
   •    Recupere em pausas curtas ao longo do dia (respirar, caminhar, alongar);
   •    Fale antecipadamente com a chefia ou equipa RH/Medicina do Trabalho;
   •    Proteja os aspetos básicos da saúde: sono, alimentação, hidratação e movimento;
   •    Evite o isolamento: partilhar o que sente com alguém de confiança pode aliviar.

Quando procurar ajuda profissional?

Deve considerar o apoio profissional quando:

   •    Os sintomas duram mais de 2–4 semanas e pioram;
   •    O sono, a ansiedade ou o humor interferem com a vida diária;
   •    Existe sensação de perda de controlo ou incapacidade de recuperar sem ajuda;
   •    Há aumento do consumo de álcool ou medicação;
   •    Surgem pensamentos de desesperança ou autoagressão.

Como o Grupo HPA Saúde pode ajudar

O burnout tem solução, sobretudo quando é identificado cedo. No Grupo HPA Saúde, o apoio pode incluir:

   •    Avaliação clínica e orientação (Medicina Geral e Familiar);
   •    Apoio psicológico (para gestão do stress, sono e estratégias de recuperação);
   •    Acompanhamento psiquiátrico (para ansiedade, depressão e insónia);
   •    Articulação com Medicina do Trabalho, quando o contexto laboral contribui para o problema.

Quando há sinais de limite, não é aconselhável esperar “para ver se passa”. Procurar ajuda é uma forma de proteção e prevenção.

Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação clínica. Em caso de sintomas persistentes, recomenda-se acompanhamento por um profissional de saúde.

23 de Fevereiro de 2026