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Sabe o que são a microbiota e o microbioma orais?

Diversos microrganismos habitam diferentes áreas do corpo humano. Estima-se que os humanos possam ser hospedeiros de cerca de 100 triliões de microrganismos de variadas espécies. Esta população pode encontrar-se distribuída por diferentes zonas do corpo humano como por exemplo: pele, intestino, pulmões, cavidade oral, entre outras, assumindo um papel contributivo de grande relevância na manutenção da homeostase e modulação do sistema imunitário. Dada a importância que se acredita que esta relação comensal assume, foi criado em 2007 o Projeto Microbioma Humano, pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, cujo objetivo visou o estudo e mapeamento detalhado do microbioma humano e da sua importância e influência na saúde/doença. 

Microbiota e microbioma orais são dois termos muitas vezes utilizados como sinónimos, erradamente, para descrever uma comunidade de microrganismos coabitantes. No entanto, importa diferenciar estes dois conceitos.  

  • MICROBIOTA ORAL

Microbiota oral refere-se a uma comunidade de microrganismos (bactérias, fungos, parasitas e vírus) que habitam as diferentes superfícies da cavidade oral: dentes, língua, mucosas, sulco gengival e palato, estabelecendo entre si relações de simbiose, comensalidade e patogenicidade. 

  • MICROBIOMA ORAL

Por sua vez, o termo microbioma oral refere-se ao património genético, DNA e RNA, dos microrganismos que constituem a microbiota, bem como as substâncias ou metabolitos por si produzidos no ambiente envolvente. O estudo do microbioma tem permitido perceber as relações estabelecidas no ecossistema oral e de que forma influenciam não só a saúde/doença oral como também a saúde/doença sistémica.

COMPOSIÇÃO E DINÂMICA DA MICROBIOTA ORAL 

É na cavidade oral que encontramos a segunda maior comunidade de microrganismos residentes do corpo humano. Sendo que a maior reside no intestino. Estima-se que a microbiota oral inclua mais de 700 espécies microbianas, pertencentes maioritariamente ao domínio Bacteria, mas também incluindo Archaea, protozoários, vírus e fungos.

Apenas 70% das espécies são cultiváveis e por isso, passíveis de serem estudadas. 

A temperatura estável da cavidade oral, em média 37ºC, o seu pH 6,5-7 e a saliva criam um ambiente favorável para a sobrevivência da maior parte das espécies bacterianas. O principal desafio dos microrganismos colonizadores é sobreviver à resposta imunitária do hospedeiro. Nesse sentido, formam biofilmes, ou seja, comunidades microbianas mistas, metabolicamente ativas, compostas por microrganismos comensais e potenciais patógenos, incorporados numa matriz complexa autoproduzida constituída por polímeros orgânicos (polissacarídeos e proteínas) aderidos às superfícies da mucosa. A saliva é a condicionante que assume papel de maior relevância na constituição e composição do biofilme oral. Está encarregue da entrega de nutrientes (péptidos e hidratos de carbono) parcialmente dissolvidos, lubrificação para a digestão, regulação da temperatura e defesa do hospedeiro.

Quais a espécies que residem na cavidade oral?

a. BACTÉRIAS

As bactérias constituem o mais estudado e abundante grupo taxonómico existente na cavidade oral. 

b. FUNGOS

Os fungos, comparativamente às bactérias, expressam-se em menor número. No entanto, assumem uma função de manutenção do equilíbrio do microbioma oral muito importante. 

c. VÍRUS 

Em contraste com as bactérias e fungos, o estudo das espécies virais presentes na cavidade oral e a sua contribuição para a saúde/doença ainda precisa de ser clarificado. Devido à dificuldade laboratorial de cultivo e replicação viral, existem poucas informações sobre o viroma oral. 

Pensa-se que grande parte dos vírus orais sejam bacteriófagos, ou seja, infetam as bactérias existentes. Os bacteriófagos assumem um papel de grande relevância na regulação da diversidade microbiana, uma vez que estudos recentes demonstraram como as bactérias podem interagir e ser moduladas pelas comunidades de vírus. 

Os vírus encontrados na cavidade oral estão maioritariamente associados a doenças, não trazendo grandes benefícios ao hospedeiro. 

d. ARQUEA

No microbioma oral, as arqueas surgem em minoria e restringem-se a um reduzido número de filotipos de metanógenos.

Apesar de poderem existir em indivíduos saudáveis, é em pacientes com doença periodontal e infeções endodônticas que se verifica uma maior prevalência destas estirpes.  

ALTERAÇÕES NAS DIFERENTES FASE DA VIDA: BEBÉ, CRIANÇA, ADULTO, IDOSO

O microbioma humano pode ser dividido em microbioma central e microbioma variável. O microbioma central é comum a uma grande percentagem da população. Já o microbioma variável é único a cada indivíduo.  

Dada a vulnerabilidade e mutagenicidade, o microbioma oral vai sofrendo modificações qualitativas e quantitativas ao longo das várias faixas etárias. 

Estas alterações ocorrem em resposta a variáveis ao longo da vida do indivíduo como: via de parto, fatores genéticos, fatores ambientais (higiene dentária, dieta, stress, medicações) e fatores sistémicos. 

Assim, sabe-se que com o decorrer da idade a diversidade e complexidade microbiológica aumenta, resultando em ecossistemas altamente diversificados na fase adulta. 

· Evolução da colonização bacteriana oral 

Acreditava-se que o ambiente intrauterino era estéril. No entanto, recentes estudos demonstraram que em 70% das grávidas existr colonização intrauterina, especialmente do líquido amniótico. Durante o parto, o bebé entra em contato com a microflora uterina e vaginal da mãe e a colonização do ambiente oral do recém-nascido inicia-se. A boca é regularmente inoculada também com microrganismos decorrentes do primeiro processo de alimentação. Segundo a literatura, a via de aleitamento: materno ou complementar, influencia a aquisição e a variabilidade da microbiota oral. 

Por volta dos 5-6 meses de idade, com a introdução alimentar e a erupção dos primeiros dentes, surgem os primeiros microrganismos anaeróbios. Nesta fase, as crianças têm uma menor carga microbiológica, mas apresentam uma maior diversidade do que os seus progenitores. 

Da infância à fase adulta, o microbioma vai-se desenvolvendo e modificando sendo vulnerável a vários fatores como: a introdução de novas dietas alimentares, a interação com animais domésticos, a relação com outras crianças e adultos, o uso de medicações, a presença de doenças sistémicas, a aquisição de hábitos tabágicos, o stress, entre outros. 

No idoso, várias condicionantes biológicas e ambientais provocam alterações significativas na microbiota e microbioma orais. A redução do fluxo salivar, o desenvolvimento de doenças sistémicas, o uso de próteses dentárias e os hábitos de higiene oral conduzem a um declínio da diversidade dos microrganismos presentes e a alterações nas suas relações de simbiose. 

FUNÇÕES E IMPORTÂNCIA NA SAUDE ORAL 

Os microrganismos têm facilmente acesso à corrente sanguínea uma vez que são capazes de passar pelas fendas gengivais e lesões de cáries não tratadas, espalhando-se por diferentes locais do organismo do hospedeiro, provocando doenças sistémicas. Neste contexto, podemos dizer que a cavidade oral é uma porta de comunicação com a via sistémica.

Compreendendo esta estreita relação entre a boca e o restante organismo, percebemos a importância da existência de um microbioma onde as relações de simbiose se mantenham equilibradas. 

A quebra da harmonia, a disbiose, entre as estirpes benéficas e as espécies patogénicas, pode conduzir e/ou influenciar diversas condições locais e/ou sistémicas. Temos como exemplo de condições locais: a cárie dentária, a doença periodontal, a halitose e o cancro oral; e como exemplo de condições sistémicas: a diabetes mellitus, a doença de Alzheimer, a endocardite bacteriana, o acidente vascular cerebral isquémico, as doenças cardiovasculares, o cancro do pâncreas, a doença de Crohn pediátrica, a pneumonia, entre muitas outras. Está também descrito que grávidas com doença periodontal são mais suscetíveis a terem partos prematurose associados a recém-nascidos de baixo peso.  

· Estratégias para manutenção do equilibro (eubiose) 

Recomendações:

* Higiene oral adequada (escovagem dentária 2 a 3x/dia; uso de fio dentário);

* Alimentação equilibrada (baixo teor em açúcares);

* Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;

* Uso racional de antibióticos;

* Estimulação do fluxo salivar (hidratação adequada);

* Consultas regulares de medicina dentária.

A distinção dos conceitos de microbiota (população de microrganismos) e de microbioma (população de microrganismos + função genética + função metabólica) é fundamental para a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos associados à saúde e
à doença.

Os microrganismos interagem entre si e com o hospedeiro estabelecendo importantes relações simbióticas que se traduzem em benefícios mútuos. A presença de microrganismos comensais é extremamente benéfica e protege o hospedeiro de seres patogénicos e oportunistas, mantendo o bem-estar do hospedeiro. 

Se a homeostasia for perturbada pode originar alterações na composição dos biofilmes orais, podendo desencadear doenças. De forma a prevenir patologias orais (como cáries, periodontites, halitose e cancro oral) e sistémicas (como a diabetes, doenças cardíacas e infeções sistémicas) é necessário que o microbioma oral esteja em sintonia e equilíbrio com o hospedeiro. 

Assim, a ida rotineira a consultas de Medicina Dentária, corretos hábitos de higiene oral, uma dieta equilibrada com baixo teor de açúcares, a redução de hábitos tabágicos e alcoólicos e uma hidratação adequada são estratégias importantes para a manutenção de um microbioma oral equilibrado.

 

Conteúdo desenvolvido pela Dra. Vanessa Castro

DENTAL HPA

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21 de Abril de 2026