O fígado gordo, ou esteatose hepática, é uma condição em que há acumulação de gordura nas células do fígado. Este órgão é essencial para a digestão, metabolização de nutrientes, remoção de substâncias prejudiciais e regulação da coagulação do sangue. Quando a gordura excede 5% a 10% da massa do fígado, pode surgir a doença. Em Portugal, cerca de 15% dos adultos são afetados, e globalmente a prevalência chega a 20% a 30%, com maior incidência em homens adultos e mulheres pós-menopáusicas.
Na maioria dos casos, o fígado gordo não apresenta sintomas. No entanto, alguns doentes podem sentir cansaço e dor no quadrante superior direito do abdómen, além de perda de apetite, náuseas ou vómitos. Formas avançadas podem manifestar-se com icterícia, febre ou ascite (acumulação de líquido no abdómen), indicando inflamação hepática significativa.
As principais causas da doença incluem:
O diagnóstico é geralmente realizado com ecografia abdominal, que identifica aumento do fígado, e análises ao sangue, que mostram alterações nas enzimas hepáticas (transaminases). Em casos incertos ou para avaliar a gravidade, a biópsia hepática pode confirmar a doença.
Não existem medicamentos específicos para tratar o fígado gordo. O tratamento baseia-se em alterações no estilo de vida: perder peso, praticar exercício regularmente, adotar uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais e fibras, evitar excesso de gorduras saturadas e eliminar o consumo de álcool. É igualmente importante controlar doenças associadas, como diabetes, colesterol e triglicéridos elevados. Nas fases iniciais, a doença é reversível com estas medidas.
Embora a maioria dos casos evolua de forma benigna, a doença pode progredir para cirrose, especialmente em pessoas idosas, diabéticas ou com inflamação hepática (esteato-hepatite não alcoólica). Para prevenir o fígado gordo, é essencial manter um estilo de vida saudável, controlar o peso, praticar atividade física, moderar o consumo de álcool e adotar uma alimentação equilibrada.