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Dr.ª Suzana Guedes 

Psicóloga Clínica

 

Socorro. Estou em perigo!

HPA Magazine 7


“Parecia que ia morrer. Acordei de repente a meio da noite com a sensação de falta de ar, com um aperto no peito e toda a tremer. Estou a ter um ataque cardíaco, pensei. Tenho que chegar ao hospital o mais rápido possível. Depois de observada, concluíram que tinha tido um ataque de pânico. Desde então nunca mais fui a mesma. O medo tomou conta de mim. O medo de estar doente, o medo de morrer, o medo que aquela sensação assustadora acontecesse novamente”. 



 

MAS AFINAL, O QUE É UM ATAQUE DE PÂNICO?
Um ataque de pânico é uma experiência verdadeiramente traumática, que deixa marcas duradouras na vida de um indivíduo. De início súbito, carateriza-se por uma vivência de medo, terror e/ou desconforto intenso, acompanhados por sintomas físicos e psicológicos e, também por crenças catastróficas irracionais de perigo ou de descontrolo. Os ataques de pânico podem ser de início súbito (inesperados, sem que nenhuma situação os faça prever “surgem do nada”, por exemplo durante o sono) ou serem situacionais (há uma situação, contexto, ou objeto específico que o desencadeia). Em alguns casos pode existir uma predisposição para a sua ocorrência em determinadas situações (a pessoa que habitualmente tem ansiedade quando fala em público, pode numa dessas situações ter um ataque de pânico).
No fundo, trata-se de uma vivência inadequada de um estado intenso equivalente ao que o corpo produziria ao preparar-se para enfrentar um grande perigo. A sua ocorrência continuada denomina-se de Perturbação de Pânico.

QUE SINTOMAS FÍSICOS ACOMPANHAM UM ATAQUE DE PÂNICO?
·  Respiração curta;
·  Palpitações, batimentos ou ritmo cardíaco acelerados;
·  Dores no peito; sensação de asfixia ou sufoco;
·  Tonturas, desequilíbrio ou transtornos visuais;
·  Formigueiro nas extremidades;
·   Calafrios e calores;
·  Suores;
·  Fraqueza;
·  Tremor;
·  Dormência (por exemplo no rosto ou cabeça);
·  Queixas abdominais (náuseas, mau estar);
·  Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sentir-se desligado de si próprio).

QUAIS OS SEUS SINTOMAS PSICOLÓGICOS?
Quem já vivenciou estas situações sabe que o medo, terror, apreensão e tristeza, são as emoções predominantes em situação de pânico.

"Eventos traumáticos produzem deficiências duradouras na excitação fisiológica, emoção, cognição e memória, rompendo estas funções normalmente integradas entre si” (Herman, 1992)

PORQUE SURGEM OS ATAQUES DE PÂNICO?
Os ataques de pânico são uma condição cada vez mais comum e uma resposta híper-reativa do Sistema Nervoso a situações sentidas como ameaçadoras. Surgem na grande maioria como consequência de um episódio traumático ou um acontecimento de vida stressante, causando alterações a nível cerebral e dando origem à acoplação de um “alarme”, que ao mínimo apelo é reativado, alterando pensamentos, sentimentos e comportamentos.

“A perturbação de pânico faz parte de um mundo ocidentalizado, sujeito a rotinas, prazos e obrigações, impondo ao sujeito experiências potencialmente stressantes (…) ou quando subitamente se defrontam com o perigo” (Viegas & Braz, 2014).

 

QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DOS ATAQUES DE PÂNICO?
Quem sofre de ataques de pânico ou quem sofreu pela primeira vez, fica com muitas dúvidas sobre o que se está a passar consigo. A pessoa com pânico passa a acreditar fortemente que fisicamente alguma coisa não está bem. Pelas sensações corporais que vivencia, relaciona os sintomas com uma doença grave que ainda não foi diagnosticada. As palpitações são relacionadas a problemas cardíacos ou, uma dormência na cabeça a uma doença grave no cérebro.
Pela forma intensa com que são vivenciados, os ataques de pânico provocam uma inevitável perda de qualidade de vida, devido à preocupação constante pelo surgimento de novos episódios e suas consequências. Quando se associam a Agorafobia, passa a existir também o medo de situações relacionadas com o manter-se em espaços fechados ou abertos, antecipando uma dificuldade em fugir e a necessidade da pessoa se manter sempre acompanhada. O medo é desproporcional ou infundado em relação à situação e, tem forte influência no funcionamento social, profissional e pessoal da pessoa.
Para as abordagens neurobiológicas o próprio ataque de pânico é uma experiência emocionalmente perturbadora que ficou de forma inapropriada na rede de memórias, dando origem à instalação de uma memória de alarme que passa a ser inadequadamente disparada. A experiência pode ser tão traumática que um grande número de pessoas que vivencia o seu primeiro ataque de pânico, dirige-se na maioria dos casos, aos serviços de urgência.
Também o aparecimento de equipamentos cada vez mais minuciosos e rigorosos permitiu perceber o impacto que os ataques de pânico têm no nosso cérebro, pois enquanto experiência traumática provoca alterações no funcionamento cerebral, sendo que um cérebro submetido a stress crónico ocasiona inevitavelmente disfunções e uma perda significativa de qualidade de vida, daí a importância de procurar tratamento.

COMO TRATAR?
Com o avanço do conhecimento do cérebro, surgiram paralelamente novas abordagens terapêuticas e novas formas de olhar a doença. A Consulta de Psicologia Clínica e da Saúde dispõe de distintas abordagens para o tratamento da Perturbação de Pânico. Evidenciamos especificamente o tratamento com um enfoque traumático, na medida em que uma experiência pode ser considerada traumática quando ameaça a saúde e o bem-estar do indivíduo, passando a condicionar e a controlar o modo como a pessoa organiza as suas perceções subsequentes.
Uma das abordagens neurobiológicas que poderá ser proposta para o tratamento da Perturbação de Pânico é a EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) que consiste na dessensibilização e reprocessamento dos episódios traumáticos através dos movimentos oculares ou da estimulação bilateral cerebral, com um impacto muito significativo ao nível dos pensamentos, sentimentos e comportamentos. O Brainspotting é outra abordagem com bons resultados, que funciona mediante a ativação cerebral através dos reflexos observados pelo Psicólogo ou, sensações físicas sentidas internamente pelo paciente e, que permitem a libertação neuropsicológica da dor, quer física quer emocional.
O Neurofeedback é também outra estratégia de intervenção, baseada na atividade elétrica cerebral, consistindo num treino que permite ao cérebro funcionar de forma mais estável e controlada em situações onde se verifica desregulação do padrão de funcionamento cerebral, tal como acontece no espectro da ansiedade-depressão. Trata-se de um processo gradual de auto-regulação que permite ao sistema nervoso central funcionar melhor. 
A Perturbação de Pânico ocorre em cada 1-3 em 1000 indivíduos e apresenta um elevado grau de cronicidade quando não tratada adequada e atempadamente, razão pela qual quanto mais cedo se iniciar a intervenção, mais breve será o tratamento.