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A dieta low fodmap e a síndrome do intestino irritável

De acordo com a Monash University de Melbourne/Australia a dieta Low Fodmap (Fermentable Oligosaccharides Disaccharides Monosaccharides And Polyols) já é considerada o tratamento de 1ª linha para a Síndrome do Intestino Irritável (SII).

A SII é um distúrbio funcional do intestino de origem multifatorial. Pessoas com esta síndrome poderão apresentar alterações do trânsito intestinal como diarreia, obstipação, flatulência, dor e distensão abdominal, náuseas e consequente diminuição da qualidade de vida.

Nestes pacientes há uma disfunção na digestão do intestino delgado e quando o alimento chega ao cólon, fermenta uma vez que o intestino delgado não foi capaz de digerir esse determinado alimento. No cólon ocorre assim uma “confusão” do microbiota e consequentes sintomas associados. A dieta Low Fodmap adequa as doses de cada alimento à capacidade de digerir de cada intestino.

Contempla 3 fases de tratamento, sendo que a primeira consiste em retirar durante um período máximo de 6 semanas alimentos específicos, considerados altamente fermentáveis que poderão agravar os sintomas acima mencionados. O objetivo principal desta primeira fase da dieta é a redução dos sintomas gastrointestinais.

Existem vários grupos de alimentos que nesta fase são eliminados como: uma grande variedade de frutas, vegetais, frutos oleaginosos e sementes, leguminosas, cebola, alho, alguns adoçantes, alguns cereais, especiarias e alimentos ricos em lactose por exemplo.

É importante referir que esta primeira fase da dieta não deverá ser feita por tempo indeterminado uma vez que com a restrição de vários grupos de alimentos por um período prolongado de tempo poderá haver carências nutricionais de ferro, vitaminas B9, B12, cálcio, vitamina D e magnésio.

Uma vez melhorados os sintomas, o paciente poderá passar para a segunda fase da dieta, que poderá durar de 2 a 3 meses. Nesta fase é fulcral reintroduzir os alimentos eliminados na 1ª etapa da dieta de forma gradual. Deverão ser introduzidos individualmente os alimentos e deverá ser testada de forma cuidada a tolerância a cada um deles. Esta é uma fase em que o doente deverá ser acompanhado de forma mais regular para que possa realizar esta introdução de alimentos de forma segura, estando sempre atento aos sintomas que vão sendo desenvolvidos.

Terminada a fase de teste, o doente poderá passar para a última etapa da dieta, a introdução dos alimentos tolerados e personalização, em que será elaborado um plano alimentar individual de acordo com as tolerâncias do doente, tendo sempre em consideração as preferências, hábitos e cultura da pessoa.

Durante todas as fases de tratamento deverá haver uma monitorização de micronutrientes com os ajustes dietéticos necessários.

De salientar que a dieta Low Fodmap deverá ser sempre orientada por um profissional especializado que possa garantir as necessidades nutricionais individuais de cada pessoa de forma a melhorar o seu estado de saúde e qualidade de vida.

27 de Abril de 2026