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Perturbação do Espectro do Autismo: Compreender para Incluir

A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa ao longo da vida, influenciando a forma como comunica, interage socialmente e percebe o mundo.  No âmbito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, é fundamental promover o conhecimento e a compreensão desta realidade, contribuindo para uma sociedade mais informada, inclusiva e empática.

Os sinais do autismo podem manifestar-se de forma muito diversa, razão pela qual se fala em “espectro”. Ainda assim, existem alguns sintomas cardinais que ajudam na sua identificação. Entre eles destacam-se dificuldades na comunicação social, como menor contacto visual, atraso ou ausência de linguagem verbal, dificuldade em iniciar ou manter conversas, e menor compreensão de expressões faciais ou emoções. Além disso, são comuns padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos, como movimentos repetitivos (abanar as mãos ou balançar o corpo), apego a rotinas rígidas e forte interesse por temas muito específicos. Algumas crianças podem também apresentar hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos sensoriais, como sons, luzes, texturas ou cheiros.

Atualmente, a classificação da PEA inclui diferentes graus de gravidade, definidos de acordo com o nível de suporte necessário no dia a dia. De forma geral, fala-se em três níveis: o nível 1 (necessidade de apoio), o nível 2 (necessidade substancial de apoio) e o nível 3 (necessidade muito substancial de apoio). Esta classificação não define o valor ou o potencial da pessoa, mas ajuda a orientar a intervenção e a compreender melhor as suas necessidades específicas, uma vez que o impacto do autismo pode variar significativamente de indivíduo para indivíduo.

As crianças com autismo podem enfrentar vários desafios no seu dia a dia. A interação com outras crianças pode ser difícil, levando ao isolamento social. A adaptação a mudanças de rotina pode gerar ansiedade significativa, e ambientes com muitos estímulos podem tornar-se avassaladores. Na escola, podem surgir dificuldades na aprendizagem, não necessariamente por falta de capacidade, mas por diferenças na forma de processar a informação e comunicar.

Para os pais e cuidadores, o percurso pode também ser exigente. Muitas vezes, enfrentam incerteza no momento do diagnóstico, dificuldades no acesso a apoios especializados e necessidade constante de adaptação às necessidades da criança. A sobrecarga emocional e física pode ser significativa, especialmente quando não existe uma rede de apoio adequada.

Apesar destes desafios, é importante reforçar que o prognóstico pode melhorar significativamente com intervenção precoce e adequada. A identificação atempada dos sinais permite iniciar terapias que promovem o desenvolvimento da comunicação, das competências sociais e da autonomia. Intervenções como terapia da fala, terapia ocupacional e apoio psicopedagógico são frequentemente fundamentais. Um ambiente estruturado, previsível e adaptado às necessidades da criança também contribui para o seu bem-estar e progresso.

Cada pessoa com autismo é única e, por isso, as suas necessidades podem variar amplamente. Algumas podem necessitar de apoio intensivo ao longo da vida, enquanto outras conseguem atingir elevados níveis de independência. Entre as necessidades mais comuns estão a adaptação do contexto escolar, estratégias de comunicação alternativas, apoio na regulação emocional e compreensão por parte da comunidade.

Recomendo vivamente a visualização, para poder ter a experiência e perceção na primeira pessoa do que é ter autismo, dos vídeos elaborados pela National Autistic Society, como por exemplo:

  • What if we could change this?:
  • Make it Stop:

A consciencialização é um passo essencial para a inclusão. Com mais informação, reduzimos o estigma e aumentamos a capacidade de acolher a diferença. Neste Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, importa lembrar que compreender é o primeiro passo para incluir, e que pequenas atitudes de empatia podem fazer uma grande diferença na vida destas crianças e das suas famílias.

Artigo desenvolvido pelo Dr. António Salgado, Pediatra no HPA Gambelas.

2 de Abril de 2026