tempos médios de espera

Hospital Particular Alvor

00h46m

Atendimento Permanente

Hospital Particular Gambelas

00h37m

Atendimento Permanente

00h10m

Pediatria

Hospital Particular da Madeira

00h17m

Atendimento Permanente

00h17m

Pediatria

Madeira Medical Center

00h15m

Atendimento Permanente

VIDA SAUDÁVEL 

Puberdade

Texto da Pediatra Dra. Marisol Anselmo

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Puberdade

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Considera-se a puberdade como sendo um período de transição entre a infância e a idade adulta. Carateriza-se pelo aparecimento dos carateres sexuais secundários e o crescimento em estatura. 

Existem vários fatores que se pensa serem determinantes para o início da puberdade, como sejam fatores genéticos, fisiológicos, ambientais e socioeconómicos (por exemplo, a pobreza e malnutrição podem condicionar a puberdade).

O início precoce da puberdade vai provocar uma maturação óssea, aumento da velocidade de crescimento e uma estagnação precoce, podendo assim condicionar a estatura final destas crianças. Pode provocar igualmente problemas emocionais porque o corpo matura, mas o desenvolvimento emocional não acompanha essa nova fase.

Nas meninas o normal desenvolvimento da puberdade ocorre com o aparecimento do botão mamário, geralmente entre os 9 e os 12 anos. A menarca (primeiro período menstrual) surge em média cerca de 2,6 anos após o início do desenvolvimento mamário.

Nos rapazes o marcador de início da puberdade é o aumento do volume dos testículos, em regra entre os 10 e os 13 anos, geralmente precede o aumento do tamanho do pénis e o aparecimento dos pelos púbicos.

Conheça mais acerca da puberdade, uma fase tão desafiante para pais e filhos no artigo PUBERDADE PRECOCE – QUANDO SE DEVE AVALIAR? da autoria da Dra. Marisol Anselmo.

 

Filhos adolescentes

Texto do Pediatra Dr. Luís Gonçalves

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Filhos adolescentes

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O importante é continuar a promover o diálogo empático com os filhos, para que sintam segurança e apoio dos seus cuidadores. A crítica destrutiva é uma das maiores causas do distanciamento entre pais e filhos.

Desafiamo-lo a pensar e listar: em que situações é o seu filho autónomo? Em que mais situações poderia começar a ser? Comece a promover algumas mudanças na rotina do seu filho para que se torne mais independente.

Desenvolva o hábito semanal de partilharem quais as regras que foram difíceis de cumprir e de negociarem regras para a semana seguinte.

Os sempre turbulentos grupos de adolescentes são um importante espaço de desenvolvimento de competências sociais. O carinho, o respeito, a compreensão e a escuta dos seus filhos adolescentes são estratégias essenciais para que o ajude a viver na enorme pressão que sente em ser aceite pelo grupo e não se sentir isolado ou deslocado. A casa e os pais poderão ser o lugar seguro do adolescente.

A guerra às borbulhas e ao peso na balança:
Não desvalorize, oiça com atenção e tente compreender o seu mal-estar. Reconheça qualquer sofrimento que possa estar a sentir e ajude na resolução adequada.

As preocupações com a imagem
Definindo limites do que é “apropriado” ou “possível”, as experiências exploratórias da imagem fazem parte do processo de descoberta da individualidade de cada adolescente.

Os namoros e a sexualidade
Não tenha receio de falar sobre este assunto com o seu filho. Conversando desmistificamos, esclarecemos e evitamos erros.

Homossexualidade
Difícil assumir, por isso é importante que o seu filho se sinta acompanhado por si. Partilhe com ele as suas dificuldades, assegurando que estará sempre com ele e o acompanhará.

O desinteresse pela escola
Ajude o seu filho a pensar o futuro dele. Quais são os interesses e vocação? O que é preciso para lá chegar? Juntos façam pesquisas, vão visitar locais, esclareçam dúvidas.

Sempre que possível dê-lhe o seu exemplo enquanto adolescente (ou de pessoas que ele conhece).


SEGURANÇA 


Em caso de bullying

Texto do Pediatra Dr. Luís Gonçalves

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Em caso de bullying

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Promova o diálogo, aumentando a proximidade com o seu filho para que se sinta seguro e apoiado.

Depois de saber o que aconteceu evite frases como “bem feita”, “eu não te avisei?”. Já é problemática e humilhante para ele a situação que está a viver.

Promova a partilha de soluções para o problema – Ajude-o a construir todas as soluções possíveis.

Elogie e valorize o seu filho, ensine-o a gostar de si e a enfrentar os problemas. Pendure no quarto dele frases como “Eu acredito em mim mesmo” ou “Eu tenho valor!”.

Transmita ao seu filho que juntos conseguirão ultrapassar a situação. E que tal já aconteceu com outras crianças/jovens e que conseguiram superar!

Plano de prevenção:

  • Manter uma distância segura dos bullies;
  • Garantir uma rede de suporte, partilhando este assunto com um amigo (ou grupo);
  • Pedir ajuda a adultos na escola que o possam ajudar.
  • Em caso de confronto:
  • Parar e pensar – Pensar nas consequências se também ele magoar alguém;
  • Agir com confiança, determinação e calma – “Chega, não gosto do que estás a fazer”;
  • Sair ou fugir do local e procurar um lugar seguro e/ou um adulto.

Após o confronto:

  • Não deixar de ir à escola desde que não haja perigo efetivo – e enfrentar o medo com apoio de colegas e professores;
  • Manter-se acompanhado;
  • Escolher sempre formas mais eficazes de interagir e de se relacionar com os outros.

Utilização correta da câmara expansora

Texto do Pediatra Dra. Inês Serras e Dr. Luís Gonçalves

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Utilização correta da câmara expansora

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A via inalatória é a via de eleição para administração de fármacos para o tratamento de doenças respiratórias.

Existem duas formas de administração: em aerossol e em câmara expansora. O aerossol é cada vez menos recomendado, pois é mais dispendioso e mais moroso de administrar. A câmara expansora é o meio de administração preferível, uma vez que é mais rápido, mais prático e mais confortável para a criança. Os tamanhos das câmaras variam em função da idade da criança:

  •  0-18 meses: máscara pequena (amarela)
  • 1-5 anos: máscara média (laranja)
  • Acima dos 5 anos: sem máscara a aplicação é bucal.

A eficácia do tratamento depende da correta utilização do dispositivo. Deve levar sempre o seu dispositivo inalatório quando for às consultas/atendimento permanente.

Preparação

A criança deve estar em pé ou sentada, idealmente calma.

  • Retirar o contentor cilíndrico da embalagem, aquecê-lo entre as mãos e adaptá-lo novamente; retirar a tampa protetora e com o inalador na vertical (L) inserir o bucal na parte de trás da câmara expansora
  • Se a criança tiver menos de 5 anos, adaptar a máscara no bucal da câmara expansora. A máscara deve adaptar-se à face de modo a não haver fugas. Aplicar a máscara na face da criança
  • Se a criança tiver mais de 5 anos, aplicar o bucal da câmara expansora entre os dentes, com a língua por baixo.

Tomar a medicação

  • Pressione o inalador apenas uma vez (1 “puff”)
  • Se a criança tiver menos de 5 anos: aguarde 5 respirações lentas (a válvula deve movimentar-se durante a respiração)
  • Se a criança tiver mais de 5 anos: peça-lhe que inspire lentamente e pause 4 segundos, mantendo os lábios bem cerrados
  • Se tiver sido prescrito mais do que um “puff”, retirar da boca e aguardar 30 segundos a 1 minuto para nova inalação
  • Agitar novamente o inalador adaptado ou não à câmara expansora e repetir os passos 1 e 2/3.

Limpar a câmara

  • Desmontar todas as peças possíveis e colocá-las em recipiente com água morna e detergente líquido da loiça, durante 15 minutos.

PROBLEMAS DE SAÚDE

Dificuldades de aprendizagem específicas

Texto do Neuropsicólogo Dr. Filipe Fernandes

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Anafilaxia

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Falamos em dificuldades de aprendizagem quando uma criança não consegue aprender uma matéria ou tarefa para a qual é suposto não haver dificuldades na sua idade.

É importante distinguir entre dificuldade de aprendizagem geral, como por exemplo decorrente de atraso no desenvolvimento cognitivo ou perturbação do espectro do autismo, e dificuldades de aprendizagem específicas (DAE).

As DAE são a causa mais comum de insucesso escolar, resultando de um défice específico na capacidade do cérebro para receber, processar ou comunicar informação. Estas dificuldades não deverão resultar de falta de prática, do método de ensino utilizado, ansiedade e depressão, perturbações comportamentais ou devido a défices percetivos periféricos (visão ou audição).

O principal sinal de DAE é uma diferença significativa entre as expetativas depositadas no desempenho escolar da criança (tendo em conta o seu funcionamento intelectual, adequação comportamental e familiar e o bem-estar emocional) e o desempenho escolar efetivo dessa criança. A criança mostra adequado nível de raciocínio e de compreensão das tarefas e matérias, mas falha nas aprendizagens e na avaliação escolar

É necessário avaliar adequadamente crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem escolar de modo à obtenção de um diagnóstico que permita o apoio e acompanhamento que a criança necessita. É necessário recolher informação em entrevista com os pais, com os professores, observar a criança e aplicar testes estandardizados de desempenho cognitivo. A deteção precoce permite estabelecer intervenções dirigidas às dificuldades da criança, melhorando significativamente o desempenho da criança e diminuído a frustração.

As DAE mais comuns:

  • Dislexia – dificuldade na aprendizagem da leitura;
  • Disgrafia/Disortografia – dificuldades na aprendizagem da escrita;
  • Discalculia – dificuldades na aprendizagem do cálculo, fatos aritméticos ou quantidades;
  • Dispraxia – dificuldades na motricidade ou coordenação motora;

O Défice de Atenção (dificuldades na orientação, manutenção e divisão do foco atencional, impulsividade, dificuldades no planeamento), com ou sem hiperatividade, encontra-se também frequentemente presente em conjunto com DAE.

As DAE são permanentes e a criança necessita de um acompanhamento para a reabilitação ou remediação da sua dificuldade. Frequentemente são necessárias medidas de apoio e adequação no meio escolar para minimizar o impacte das DAE sobre o percurso escolar da criança.

É importante reiterar que as DAE são independentes do funcionamento intelectual da criança. Uma DAE não deverá impedir qualquer criança de crescer de um modo saudável, de cumprir o seu potencial intelectual e ser feliz. Einstein ou Steve Jobs tinham DAE (dislexia) e foram personalidades de extremo sucesso.

Depressão na adolescência

Texto da Psiquiatra da Infância e da Adolescência Dra Joana Ferreira

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Depressão

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As alterações do humor são frequentes na adolescência e não é incomum ouvir um jovem dizer que está “deprimido”, ou “em baixo”.

No entanto, estes podem ser sinais de um problema muito mais sério, como são as perturbações depressivas. No seu relatório “Health for the World’s Adolescents”, a OMS aponta a depressão como uma das principais causas de doença e de incapacidade na adolescência. 

Assim, depressão é o termo usado quando sentimentos de tristeza e irritabilidade duram mais de duas semanas, afetam a maior parte da vida diária e impedem as pessoas de participar de atividades que antes eram agradáveis.

Não há uma resposta simples para o motivo pelo qual as pessoas desenvolvem depressão. Na maior parte dos casos, é uma combinação de eventos ou questões que acabam por ter impacto nos seus sentimentos, pensamentos e comportamentos.

Um jovem poderá estar a enfrentar um quadro depressivo se apresentar, por mais de duas semanas, algumas das seguintes alterações:

Alterações nas emoções:

  • tristeza, mau-humor, irritabilidade ou maior sensibilidade a críticas
  • choro frequente
  • cansaço, falta de energia e motivação
  • Tensão ou preocupação

Alterações no pensamento:

  • dificuldade na concentração, memória ou toma de decisões
  • expressões de inutilidade e culpa
  • imagem corporal negativa e baixa autoestima
  • pensamentos e verbalizações sobre morte ou suicídio

Mudanças de comportamento:

  • deixar de se envolver em atividades de que gostava ou fazê-lo com menos entusiasmo
  • menor cuidado com a higiene pessoal e aparência
  • maior isolamento social (amigos e família)
  • comportamentos de automutilação.

Mudanças físicas:

  • perda de apetite e/ou peso, ou ingestão alimentar descontrolada
  • dificuldade em dormir ou dormir demais, vontade de ficar na cama a maior parte do dia
  • inquietação, agitação ou letargia
  • dores físicas sem desencadeante aparente.

Se acha que um jovem pode estar com depressão, aqui ficam algumas dicas para o ajudar:

  • Fale acerca das suas preocupações: comunique abertamente as mudanças que notou; deixe-o saber que está preocupado e dê-lhe a oportunidade de falar consigo sobre isso.
  • Ouça-o: reserve um tempo o ouvir e entender suas experiências.
  • Ofereça apoio: mostre-lhe que não precisa passar por tudo sozinho e que você está lá para ajudá-lo e apoiá-lo.
  • Seja paciente: se o jovem negar que existe um problema, tente ser paciente. Algumas pessoas precisam de tempo ou espaço antes de se sentirem prontas para aceitar ajuda. Seja honesto sobre o motivo de sua preocupação e diga-lhe que se importa com ele. Se o jovem não estiver pronto para conversar, informe que gostaria de verificar novamente em breve, se ainda estiver preocupado e de que pode falar consigo a qualquer momento.
  • Procure ajuda: se os sintomas não melhorarem com o tempo, ou se percecionar um agravamento, incentive-o a receber ajuda profissional. Obter tratamento precoce pode fazer uma grande diferença na resolução do quadro clínico e ajudar a prevenir novos episódios de depressão no futuro.

Anafilaxia

Texto do Pediatra Dr. João Tavares

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Anafilaxia no adolescente

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O que é a Anafilaxia?
É uma reação de hipersensibilidade imediata, aguda e sistémica, em que os sinais e sintomas refletem os efeitos fisiológicos da libertação de mediadores celulares (células mastocitárias e basófilos periféricos do sangue) que causam vasodilatação e espasmo da musculatura lisa, nomeadamente a nível brônquico. Ocorre após exposição a um de terminado antigénio.

Quais são as causas?
As causas mais habituais são a hipersensibilidade a alimentos, fármacos e picadas. De entre os antigénios alimentares, os mais comuns são ovos, leite, nozes, amendoim e marisco, sendo a apresentação rara antes dos 12 meses de idade. Antibióticos, nomeadamente penicilina e cefalosporinas, e anestésicos tópicos são agentes frequentes em idades mais tardias.

Quais são os sintomas?
Os sintomas surgem geralmente segundos a minutos após a exposição ao antigénio (que pode ou não ser previamente conhecido). Habitualmente existe rubor, prurido localizado a generalizado, lesões cutâneas, tonturas, lacrimejo, olho vermelho, edemas labial e perioral. Pode estar associada falta de ar, dificuldade em engolir, cólicas, náuseas, vómitos. Choque anafilático, angioedema e obstrução brônquica são geralmente manifestações de doença grave e, nesses casos, representam uma emergência pediátrica.

Como posso ajudar o meu filho? Devo recorrer ao Hospital?
Perante a suspeita de uma reação anafilática, deve ser realizada uma observação médica. Nos casos ligeiros, o tratamento de suporte pode ser suficiente e estudo analítico pode ajudar a definir a etiologia. O tratamento de eleição é a adrenalina (aumenta a resistência vascular periférica, relaxa o músculo liso e alivia o edema e a urticária) e pode ser administrada através de canetas injetáveis previamente prescritas pelo médico assistente ou em contexto hospitalar nos casos sem historial prévio.

Conforme a gravidade da situação, podem ser terapêuticas adicionais e, pelo risco de reação bifásica com reaparecimento dos sintomas 6-24h após a manifestação inicial, pelo que se devem manter sob observação clínica durante este período.

O que acontece após a alta?
Os casos confirmados de anafilaxia devem ser encaminhados a uma consulta de Imunoalergologia, de forma a identificar/otimizar evicção do antigénio e conduta de atuação em caso de nova reação anafilática.

Para mais esclarecimentos, aconselhe-se junto do seu médico assistente.

Obesidade juvenil

Texto do Pediatra Dr. Víctor Miranda

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Obesidade na adolescência

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A obesidade juvenil tem-se tornado um problema importante de Saúde Publica nos últimos anos.

Dado o conhecimento atual de que hábitos alimentares errados e excesso de peso podem ter efeito prejudicial para toda a vida, é fundamental dar a devida importância a este tema.

O cálculo do índice de massa corporal, baseado na estatura e peso, é o parâmetro que define excesso de peso e obesidade, de acordo com curvas de percentis ajustadas para a idade e género da criança. 

Os jovens com excesso de peso e obesidade têm risco aumentado de várias doenças na idade adulta, incluindo asma, hipertensão arterial, patologia osteoarticular (joelhos e costas), doenças de fígado, apneia do sono, diabetes, enfartes do miocárdio e alguns tipos de cancro.

O balanço entre fatores genéticos, ingestão alimentar (em quantidade e qualidade) e a atividade física, resultam no peso adequado ou exagerado em cada situação. Na avaliação do excesso de peso e obesidade podem ser necessários exames complementares para perceber mais completamente o caso em questão.

Para ajudar os jovens a ter um peso saudável é necessário investir na alimentação adequada (com várias porções de fruta e vegetais por dia, é importante fazer boas escolhas na comida que compram para casa), na redução de “tempo de ecrã” e atividades sedentárias, programar atividade física diária, beber água (evitar sumos e refrigerantes), promover horas adequadas de sono.

Os objetivos devem ser realistas e faseados, e toda a família deve estar envolvida no propósito de atingir um peso mais saudável para o jovem. Poderão sempre procurar ajuda com o vosso médico assistente e nutricionista/técnicos de exercício físico. 


Escabiose

Texto do Pediatra Dr. João Tavares

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Escabiose adolescente

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O que é a Escabiose?
A escabiose, também conhecida como sarcoptose ou sarna, é uma ectoparasitose cutânea causada pelo Sarcoptes scabiei variante hominis, de elevada incidência mundial e frequente em idade pediátrica. É altamente contagiosa, com transmissão por contacto cutâneo direto ou, menos frequentemente, por fómites, sou seja, através de superfícies/objetos, atingindo todos os grupos etários e classes sociais.

Como se pode manifestar?
Geralmente manifesta-se por uma erupção cutânea inicialmente localizada (com disseminação posterior), muito pruriginosa e que frequentemente atinge múltiplos conviventes ou coabitantes. Nas crianças mais pequenas (habitualmente nos dois primeiros anos de vida), pode predominar um atingimento das palmas e plantas e pode ser associado a clínica inespecífica, estando o prurido muitas vezes ausente e manifestando-se inicialmente como perturbações do sono/alimentação e irritabilidade. Mesmo após um tratamento eficaz, o prurido cutâneo pode-se manter por 2-4 semanas após o tratamento, sem que isso indique a ausência de cura.

Como é feito o diagnostico e onde me devo dirigir?
O diagnóstico é clínico, podendo ser realizado por um pediatra / dermatologista. Pode dirigir-se ao Serviço de Atendimento Permanente ou agendar uma consulta de Pediatria / Dermatologia. Após a realização do tratamento é recomendada uma reavaliação clínica após duas semanas para confirmação de cura. Em casos particulares, perante dúvida clínica ou inexistência de resposta terapêutica, pode-se recorrer à confirmação por observação microscópica.

Como se trata?
O tratamento curativo é geralmente tópico, adaptado à idade e caso-a-caso, sendo geralmente extensível a todo o agregado familiar (colegas de sala e professores assintomáticos não necessitam de tratamento). Não deve ser esquecido o tratamento de suporte, com vista a minimização do prurido e lesões secundárias associadas e a otimização da regeneração da pele. O tratamento concomitante dos fómites (lençóis, roupas, etc.) é essencial para evitar a reinfeção.

A criança pode regressar à escola após o tratamento?
Após 24h de tratamento eficaz, a criança e os pais podem regressar às atividades letivas e escolares sem restrições.

Para mais esclarecimentos, aconselhe-se junto do seu médico assistente.

O meu filho bateu com a cabeça

Texto do Pediatra Dr. António Salgado

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O meu filho adolescente bateu com a cabeça

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Os traumatismos cranianos são frequentes em pediatria, principalmente nos primeiros anos de vida, secundários principalmente a acidentes.

Na sua maioria são ligeiros e sem consequências, mas grande motivo de preocupação para os pais, havendo alguns sintomas que, se presentes, devem motivar a observação da criança, pelo risco aumentado de lesão intracraniana.

Após um traumatismo craniano, as crianças e/ou jovens devem ser vigiados relativamente a alguns sinais e sintomas que podem determinar a gravidade da situação. Estes embora mais frequentes nas primeiras 12h após o traumatismo, devem ser alvo de vigilância até cerca de 48h depois.

Se presentes podem implicar a realização de um exame de imagem.

Assim devem ser observados, se:

  • Apresentarem sonolência exagerada com despertar difícil e fora das horas habituais de dormir
  • Alteração do comportamento habitual (agitação, irritabilidade)
  • Vómitos persistentes (3 ou mais)
  • Dor de cabeça intensa e a piorar (sem melhoria com paracetamol)
  • Convulsão ou desmaio
  • Falta de força ou “dormência” num lado do corpo
  • Alteração da visão, fala ou da marcha (desequilíbrio)
  • Saída de sangue ou líquido pelo nariz ou ouvido
  • Se tem menos de 2 anos e existir abaulamento da fontanela anterior (“moleirinha”)
  • Hematoma na cabeça que não seja anterior
  • Mecanismo de alto impacto: queda superior a 90 centímetros em crianças com menos de 2 anos ou mais de 1,5 metro em crianças com mais de 2 anos, acidente de viação, atropelamento ou ferida penetrante
  • Se tem ferida sangrante ou hematoma a aumentar

Se não tiver nenhum destes sinais e sintomas, pode aplicar gelo sobre o local, pode administrar o paracetamol (com a ressalva se a dor de cabeça piora deve ser observado) e promover um ambiente calmo.

Não esquecer que prevenir é melhor que remediar.

Assim, as crianças devem sempre usar capacete, quando andarem de bicicleta ou skate, devem ter sempre um adulto por perto quando andam, cumprir as regras de segurança para o transporte em automóvel e ensinadas as regras do transito assim que sejam compreendidas, devem ser aplicadas barreiras em escadas, nunca devem ser deixados em sítios altos sem apoio de um adulto, desde os primeiros dias.


O meu filho tem diarreia

Texto do Pediatra Dr. António Salgado

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diarreia na adolescência

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O que é diarreia?
A diarreia é um aumento no volume de fezes face ao normal da sua criança.

Em bebés, que habitualmente tem mais trânsitos intestinais, significa que as fezes são mais aquosas ou ainda mais frequentes.

Nos mais velhos, podem apresentar apenas um aumento no número de fezes diárias (geralmente 3 ou mais).

O que causa a diarreia?
As causas mais comuns para diarreia são infeções virais e efeitos secundários após toma de antibiótico. As bacterianas são menos frequentes.

Se as dejeções são acompanhadas por sangue e muco (parece “ranho), a probabilidade de infeção bacteriana é maior e a criança deve ser observada e eventualmente colher uma cultura das fezes, para excluir estas causas.

O que devo fazer?
A sua criança pode continuar a comer uma dieta normal, nomeadamente: carnes brancas, arroz, pão, massas, leite e iogurte (sem lactose), frutos e vegetais (exceto, por exemplo, algumas frutas como a ameixa e vegetais de folha verde). Devem ser evitadas comidas com gordura e bebidas com açúcar.

Caso seja amamentada, deve manter o aleitamento materno.

Os alimentos devem ser oferecidos, sem insistir, uma vez que pode ter menos apetite.

Devem ser reforçados os líquidos, oferecendo mais vezes por dia e pode ser administrada uma solução de hidratação oral (que existe com o fim de promover uma hidratação equilibrada).

Para promover uma normalização do transito intestinal, podem ser administrados pré e probióticos (existindo várias formulações disponíveis). Existem outros medicamentos adjuvantes, como antissecretórios, entre outros, que devem ser administrados apenas por recomendação do seu médico.

Quando deve ser observado/a?

  • Se apresentar sinais de desidratação, como língua seca, choro sem lagrima, menos micções, olhos encovados ou fontanela (“moleirinha”) deprimida.
  • Se estiver prostrado (sonolento e menos reativo a estímulos) ou com irritabilidade e gemido.
  • Se as dejeções forem muito frequentes (mais de 6 em 12 horas) e/ou que extravasam a fralda.
  • Se tiver vómitos persistentes (apos o segundo consecutivo)
  • Se a diarreia for sanguinolenta.
  • Se tiver menos de 12 meses e não comer ou beber nada por mais de algumas horas.
  • Se tiver dor abdominal continua, intensa e/ou persistente.
  • Se tiver febre alta (>39.5ºC axilar) e difícil de baixar (mesmo após
  • medicação). 

Comportamentos autolesivos

Texto da Psiquiatra da Infância e da Adolescência Dra Joana Ferreira

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Automutilação não suicida

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Os comportamentos autolesivos (CALs) consistem em comportamentos caracterizados pelo dano intencional ao próprio corpo, sem intencionalidade suicida, podendo ocorrer sob variadas formas (cortes na superfície corporal, queimaduras, abrasões, arranhões, morder-se, asfixiar-se, arrancar os cabelos, evitar a cicatrização de feridas e agredir-se a si próprio ou contra superfícies duras).

Existem diversos motivos (e habitualmente complexos) pelos quais um jovem se pode automutilar. Pode ser uma maneira de mostrar a sua angústia e pedir ajuda, uma forma de lidar com o stress ou com a dor emocional, ou um sintoma de uma doença mental como a depressão. Jovens com história de abuso, bullying ou outras experiências traumáticas, têm maior probabilidade de incorrer neste tipo de comportamento.

 Os CALs são frequentemente entendidos como uma resposta a um sofrimento psicológico intenso, incluindo sentimentos, pensamentos ou memórias negativos, ou sensação de desesperança.

Pode ainda existir uma componente aditiva na manutenção dos CALs, devido à liberação natural de endorfinas em resposta à dor, associada à falta de estratégias alternativas para lidar com o sofrimento.

Os efeito de “contágio” é, igualmente, um fator a ter em conta na génese dos CALs. Como qualquer comportamento aprendido, os jovens podem iniciar este tipo de comportamento ao ter conhecimento desta prática através de amigos, figuras públicas ou meios de comunicação/redes sociais. Seja como for, os CALs não devem ser desvalorizados, devendo ser avaliados individualmente e receber atenção especializada.

Apesar de se distinguirem das tentativas de suicídio em vários aspetos (particularmente pela ausência de intencionalidade), os CALs não podem ser dissociados dos comportamentos suicidários. Cerca de 70% dos adolescentes com comportamentos autolesivos repetitivos já realizaram, pelo menos uma vez ao longo da sua vida, uma tentativa de suicídio.

Algumas estratégias para ajudar um jovem com CALs:

  • Lembre-se de que não há problema em perguntar sobre os CALs – não é o facto de perguntar que “vai dar ideias”;
  • Mantenha um tom de voz o mais calmo possível;
  • Evite qualquer tipo de atitude crítica ou comentário;
  • Evite insinuar que o comportamento é "apenas busca de atenção" ou manipulação;
  • Mostre o seu apoio com interações afetuosas e proporcione atividades prazerosas;
  • Ofereça ajuda especializada. A avaliação em consulta de Pedopsiquiatria é essencial para o diagnóstico de eventuais problemas de saúde mental associados a este tipo de comportamento e a intervenção precoce essencial para um melhor prognóstico. 

Gerir a febre na adolescência

Texto do Pediatra Dr. António Salgado

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O que é a febre e como medir?

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O que é a febre e como medir?
É a temperatura 1°C acima da média da temperatura basal diária individual, no mesmo local de medição.

Se esta não for conhecida, considera-se febre os seguintes valores:

  • Retal ≥ 38ºC
  • Axilar ≥3 7,6ºC
  • Timpânica ≥ 37,8ºC
  • Oral ≥37,6ºC

A febre é uma manifestação de combate às infeções e, por isso, benéfica. Quando as situações com febre são graves (5% dos casos), existem sempre outras manifestações associadas, os chamados “sinais de alerta”.

Quais são os “sinais de alerta” numa criança com febre?
Na presença de um ou mais destes sinais de alerta, a criança deve ser observada:

  • Irritabilidade e/ou gemido mantido
  • Sonolência excessiva ou incapacidade em adormecer
  • Choro inconsolável/Não tolerar o colo
  • Face/olhar de sofrimento
  • Respiração rápida com cansaço
  • Lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida térmica
  • Urina turva e/ou com mau cheiro
  • Convulsão
  • Manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre
  • Vómitos repetidos entre as refeições
  • Sede insaciável
  • Recusa alimentar total superior a 12 horas
  • Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha
  • Febre com mais de 5 dias.

Numa criança com febre, quais os “sinais tranquilizadores”?
Embora possam ser incomodativos para a criança e poderem exigir observação médica, estes sinais sugerem doença sem gravidade:

  • Criança que brinca e tem atividade normal
  • Sorriso aberto ou fácil
  • Dor a engolir com placas brancas na garganta e/ou associada a olhos vermelhos e/ou a tosse
  • Gengivas dolorosas, vermelhas, sangrantes
  • Aftas orais
  • Diarreia ligeira (ou moderada) sem sangue, muco ou pus
  • Come menos, mas não recusa os líquidos
  • Acalma ao colo e tem comportamento habitual
  • Tosse seca e irritativa muito frequente, sendo o sintoma que mais perturba a criança
  • Pieira sem dificuldade respiratória
  • Olhos vermelhos com secreções
  • Manchas vermelhas dispersas, que surgem só a partir do 4º dia de febre.

 


O que fazer quando a criança/adolescente tem febre?

  • Oferecer água e/ou leite; adequar o vestuário e a roupa da cama à sensação de frio ou de calor; respeitar o apetite

  • Se está confortável não é preciso baixar a temperatura, mas vigiar se surgem os “sinais de alerta” (descritos anteriormente)
  • Se está desconfortável, deve tomar um antipirético (que também é analgésico, isto é, alivia a dor); mas não se deve fazer arrefecimento (banho, compressas, ventoinhas) para baixar a temperatura
  • Como antipiréticos, utilizar o paracetamol e/ou o ibuprofeno (exceto se: alergia; idade < 6 meses; varicela; diarreia e vómitos moderados a graves). Podem ser administrados individualmente de 8/8h ou, se picos febris próximos, alternados até 4/4h.

Considera-se que o antipirético é eficaz se baixar a temperatura 1,0º a 1,5ºC em 2 a 3 horas. O objetivo do antipirético é aliviar o desconforto da criança e não eliminar a febre a todo o custo. Mesmo não medicada, a temperatura acabará, em regra, por baixar espontaneamente algumas horas depois, voltando a subir ao fim de poucas horas, e assim sucessivamente, até a doença passar.

Quando é que uma criança/adolescente com febre deve recorrer ao hospital/contactar pediatra?

  • Idade inferior a 3 meses de idade (idade corrigida se prematuros)
  • Idade inferior a 6 meses com temperatura axilar ≥ 39,0ºC ou retal ≥ 40,0ºC
  • Temperaturas axilares superiores a 40,0°C ou retais superiores a 41,0°C
  • Presença de um ou mais “sinais de alerta” (descritos anteriormente)
  • Se coexistir uma doença crónica grave
  • Se febre há 5 ou mais dias, ou se a febre reaparecer após 2 a 3 dias de temperaturas normais.

Pontos-Chave a reter

  • A febre é apenas um sintoma e não uma doença
  • O tratamento da febre (antipiréticos) não encurta a duração da febre nem contribui para a resolução da doença causal; se a temperatura não voltar ao normal após a administração dos antipiréticos, só por si, não é sinal de gravidade desde que baixe de 1,0º a 1,5ºC
  • O tratamento da febre previne convulsões febris que, globalmente, são pouco comuns (< 1% dos episódios febris até aos 2 anos, diminuindo depois dessa idade); as convulsões assustam quem as presencia, mas, em regra, não provocam danos cerebrais
  • Na fase de subida da febre o arrefecimento (com banho, compressas húmidas, álcool ou ventoinhas) está desaconselhado: não contribui para o controlo da doença, nem para o bem-estar da criança
  • A presença de “sinais de alerta”, o estado geral da criança e/ou ter menos de 3 meses de vida, são mais importantes do que os graus da temperatura e/ou a duração da febre
  • O aparecimento (ou não) dos “sinais de alerta” dita a necessidade (ou não) de ser observado, independentemente do dia de febre
  • As viroses, responsáveis pela grande maioria dos episódios febris, duram em média 4 dias completos (e 5 dias, ou mais, em 30% dos casos).

Perturbações do comportamento alimentar

Texto da Psiquiatra da Infância e da Adolescência Dra Joana Ferreira

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anorexia nervosa

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As Perturbações do Comportamento Alimentar (PCAs) são doenças mentais graves que podem ter complicações médicas importantes. As características nucleares deste tipo de perturbação envolvem a forma como a pessoa interage com os alimentos e a insatisfação com a forma e o tamanho do seu corpo.

Como é que se desenvolve uma PCA?
Não é culpa de ninguém que um jovem desenvolva uma perturbação alimentar. Os pais não causam transtornos alimentares e os jovens não os escolhem. Traços individuais de temperamento, fatores genéticos e ambientais podem contribuir para que uma pessoa desenvolva uma perturbação alimentar. Uma combinação ou “tempestade perfeita” de fatores está, geralmente, na génese de uma PCA .

Traços familiares de perfecionismo, níveis elevados de ansiedade e história pessoal ou familiar de obesidade, depressão e abuso de substâncias são importantes fatores de risco. Por outro lado, os padrões de beleza e culto do corpo presentes na sociedade atual, amplificados pelos media e redes sociais, levam a que os jovens sejam constantemente expostos a mensagens mais ou menos subtis, que podem interferir com a visão que têm do seu próprio corpo. Quando um jovem experimenta uma insatisfação corporal contínua e angustiante, o seu bem-estar é afetado, podendo resultar em baixa autoestima, depressão e problemas com a alimentação.

Alguns dos comportamentos associados às PCAs são:

  • Comportamentos indicadores de insatisfação corporal (por ex. verificação corporal, comparações corporais frequentes, evitamento da exposição corporal);
  • Restrição alimentar severa (relativamente à quantidade e/ou tipo de alimentos consumidos);
  • Exercício físico excessivo / compulsivo;
  • Perda de controlo ao comer ou ingestão compulsiva;
  • Vómitos;
  • Uso de laxantes ou diuréticos, dietéticos ou suplementos para ganho ou perda de peso.

Tipos mais frequentes de PCAs e suas principais características:
Anorexia Nervosa: caracterizada por restrição alimentar e medo intenso de ganhar peso, distorção da imagem corporal e perda de peso, abaixo dos percentis normais para a faixa etária. Os subtipos restritivo e purgativo diferenciam-se pela ausência/presença de comportamentos ativos de eliminação dos alimentos ingeridos (vómitos, uso de laxantes...).

Bulimia Nervosa: envolve ciclos de compulsão alimentar (comer uma grande quantidade de comida rapidamente, de forma descontrolada), seguidos de ações para eliminar os alimentos ingeridos. Associação a fortes sentimentos de angústia, culpa e vergonha sobre estas experiências, assim como a elevado criticismo em relação ao próprio corpo.

Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva: episódios repetidos de compulsão alimentar, geralmente acompanhados pela sensação de perda de controle durante a ingestão.

Perturbação de ingestão alimentar evitante/restritiva: a pessoa evita comer certos alimentos com base em características sensoriais, tais como cheiro, aparência ou textura, o que pode levar à perda de peso não intencional e outros problemas relacionados com a nutrição e saúde física.

Quando procurar ajuda?
Muitas pessoas com PCAs consideram que os seus comportamentos não constituem um problema ou que não são "magras o suficiente" para precisar de ajuda profissional.

Independentemente do peso ou das quantidades de alimentos ingeridos, qualquer pessoa que experimente padrões alimentares pouco saudáveis e angústia sobre sua aparência deve procurar apoio profissional. Quanto mais precoce a intervenção e menor o tempo de doença não tratada, melhor o prognóstico.